Centrais pressionam contra fator previdenciário


Wilson Aquino
 
José Lucas diz que avançam as negociações com o Governo (Foto : Divulgação) José Lucas diz que avançam as negociações com o Governo (Foto : Divulgação)

CAMPO GRANDE - As centrais sindicais estão pressionando deputados e senadores para que estes, por sua vez, pressionem o Governo para acabar de vez com o Fator Previdenciário que está em vigor e que reduz em até 40% o valor das aposentadorias no Brasil. “E não adianta o governo vir com aquela mesma ladainha de sempre de déficit previdenciário, para não acabar com esse famigerado fator previdencário”, desabafou José Lucas da Silva, membro da executiva nacional da CGTB e coordenador regional do Fórum Sindical dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul – FST/MS.

José Lucas informou que segundo o senador Paulo Paim (PT/RS) as negociações do Congresso Nacional com o Governo estão avançando no sentido de chegar a um acordo para acabar de vez com o Fator Previdenciário. “O Brasil inteiro está na expectativa de se resolver esse problema de uma vez por todas”, comentou o sindicalista.

Ele lembrou que o Congresso Nacional já havia aprovado no ano passado o fim do fator previdenciário. O problema foi que o então presidente Lula vetou o projeto e agora cabe ao Congresso promover um entendimento com Dilma Rousseff para derrubar o veto e beneficiar milhares de trabalhadores aposentados em todo o Brasil que perderam muito dinheiro nos últimos anos, por conta desse “monstro” criado por ele mesmo (Governo), explica.

“O senador Paulo Paim tem feito duros pronunciamentos no Senado, desmentindo, através de números e provas, as justificativas de déficit previdenciário alegados pelo governo para não recuperar as perdas salariais dos aposentados e acabar de vez com o fator previdenciário”, comentou José Lucas.

Paim, em recente manifestação no Senado, destacou que “segundo estudo da Associação Nacional dos Fiscais da Previdência (Anfip) e da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) somente em 2009 a Seguridade Social teve um superávit de R$ 21 bilhões e a Previdência Social de R$ 4 bilhões.

Já o SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal) informa que somente no primeiro semestre deste ano foi pago a aposentadorias e pensões o montante de R$ 51,4 bilhões”. Registra o senador caxiense que, “porém, os 30,25% que ganham acima do salário mínimo somaram o valor de R$ 15,5 bilhões (Esses dados estão disponíveis na internet e podem ser acessados por www.siga.gov.br).

O impacto da diferença entre os 6,14% de reajuste oferecido pelo governo e os 7,7% aprovado pelos deputados é de 1,58%. Isso representa um impacto mensal de R$ 81,9 milhões e anual de R$ 982,7 milhões, calculados pela média dos pagamentos efetuados pela previdência nos três primeiros meses de 2010”.

Paim lembra ainda que “segundo o anexo IV das Metas Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), as renúncias previdenciárias para este ano são de R$ 18,9 bilhões. Portanto, o impacto da diferença do reajuste aprovado (impacto de R$ 982 milhões/ano) representa 5,18% das renúncias previdenciárias previstas para 2010”.

SOMANDO FORÇAS

José Lucas participado de reuniões em Mato Grosso do Sul com as diretorias das centrais CGTB, Força Sindical, CTB, NCST e UGT, para traçar estratégias, juntas, de luta em Brasília para conseguir acabar com o fator previdenciário.

As entidades vêm trabalhando juntas nesse sentido em todo o País. Somando forças elas acreditam que terão maiores chances de pressionar o governo para resolução desse problema sem penalizar o trabalhador aposentado que perde boa parte de seus ganhos mensais por conta dessa matemática absurda do governo.

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