15/01/2013 08h50 - Atualizado em 15/01/2013 08h50

Governo não sabe quantos policiais morrem

 
Do Progresso
Pelo  menos 229 policiais foram mortos no ano passado (Foto : Agência Brasil) Pelo menos 229 policiais foram mortos no ano passado (Foto : Agência Brasil)

Em um artigo publicado na revista Última Instância, o jurista Luiz Flávio Gomes faz referência a uma pesquisa feita pelo especialista em Segurança Pública, o professor George Felipe de Lima Dantas, em que aponta a carência no Brasil de um banco de dados que trate sobre policiais vítimas, quando no desempenho da função.

Segundo ele, é possível fazer apenas estimativas, uma vez que não existem números consolidados nas 54 polícias estaduais civis e militares e nas duas polícias federais do país (Departamento da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal) sobre esses homicídios.

Ele destaca um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo em todo país nas secretarias estaduais de Segurança Pública que revelou o seguinte: ao menos 229 policiais (civis e militares) foram mortos no ano de 2012, até o mês de outubro (183 estavam em folga e 46 em serviço).

O número pode ser maior porque (a) Rio de Janeiro e Distrito Federal não discriminam as causas das mortes de policiais fora de serviço e (b) o Maranhão não enviou dados (Folha de S. Paulo de 31.12.12, p. C1).

Quase metade das ocorrências se deu no Estado de São Paulo (43% do total de mortes, sendo que as corporações paulistas representam 31% dos efetivos das duas polícias). Nos EUA, em 2010, foram assassinados 56 policiais.

Mortes expressivas, mas não mensuradas (com precisão) pelos órgãos oficiais que divulgam os homicídios do país (Ministério da Justiça, Secretarias de Segurança Pública e Datasus – Ministério da Sáude), tendo em vista não existirem categorias que especifiquem assassinatos de policiais. Suas mortes são contabilizadas como todas as demais.

Não contar com o controle dessa mortandade tão grave, que vitimiza aqueles que são escalados pelo Estado para proteger a sociedade, bem como outras formas de categorização dentre as mortes que ocorrem no país, não só impede a criação de medidas de prevenção e políticas criminais direcionadas aos tipos de criminalidade mais recorrentes no país, como dá margem à divulgação de conclusões equivocadas.

 
 
 
 
 
 
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