Zélia Nolasco Freire *
Ao iniciarmos um novo ano, é normal que façamos uma prestação de contas de nossas vidas. Como vai sua vida profissional? Sua vida pessoal? Sua vida amorosa? Sua vida religiosa? Está bom desse jeito? Ou você precisa fazer alguns ajustes? Você planejou tudo para o novo ano? O que fazer e o que não fazer para que tudo saia como espera? Caso não fez isso ainda, corra, dá tempo.
Essas sugestões são eficazes se colocadas em prática, principalmente, para os profissionais da educação. Pois, nesse período, estão em férias, longe da escola, longe dos alunos, longe da coordenadora e da diretora. Enfim, longe de todos. É chegada a hora de fazer um balanço de sua vida profissional. Está na educação porque não teve outra oportunidade? Está na educação porque já faz alguns anos que atua na área e não quer começar tudo de novo? Falta pouco tempo para aposentar-se? O que te motiva a exercer essa profissão? Você é um bom profissional? Ou não? Já parou para pensar nisso?
Eu já e não posso responder por vocês, mas garanto-lhes que estou fazendo essa avaliação. Não é fácil, mas necessária. Até porque faço parte de uma Instituição que forma milhares de alunos a cada ano e a maioria será professor ou atuará na educação. Olha que responsabilidade. Provavelmente, eles, os futuros profissionais repetirão o modelo que tiveram em sala de aula. Alguns com mais discernimento que outros. Infelizmente, não temos uma receita pronta para nenhuma profissão, mas com certeza dedicação e vocação contarão pontos a favor.
Até porque se algum deles achar que irá para a educação para ganhar dinheiro, ficar rico, logo perceberá que é impossível. Com salário de professor vive-se. Aliás, já teve quem dissesse que “professor(a) não ganha mal, é mal casado(a)”, lembram-se? Eu não vou discutir o mérito da questão. Se é que há algum? Não, agora. Mas, trago outra questão que se assemelha em partes e que merece ser reavaliada também. Estive lendo uma pesquisa realizada na Inglaterra com 2 mil pessoas e 50% apontaram os professores como a categoria mais mal vestida do país, 11% disseram até que já reclamaram com a diretora dos filhos sobre isso.
Será que se efetuássemos essa pesquisa no Brasil teríamos resultados diferentes? Agora, eu lhes pergunto: Professor se veste mal porque ganha mal? Ah, continuando na amostra da pesquisa 20% disseram que usam a mesma camisa por até 3 dias seguidos. Pode?? Ninguém merece. Isso na Inglaterra! E aqui no Brasil? Quantos dias eles usam? Com esse nosso clima tropical? E, falando nisso, o nosso clima tropical justificaria um professor ir para seu local de trabalho de bermuda? De camiseta regata? Não digo nem que sim nem que não, deixo para vocês avaliarem.
É importante lembrar que a primeira impressão é a que fica. E a sua pedagogia está de acordo com as novas exigências? Proporciona um alto índice de aprendizagem entre os seus alunos? O resultado é bom? O que você pode fazer para melhorar? Com certeza, você pode fazer muito. Basta querer. Dê o melhor de si todos os dias. Invista em seu aprendizado. Planeje-se. Planeje sua vida, planeje suas aulas. Leia bons livros. Aprenda uma língua estrangeira. Aprenda informática. É importante ter em mente que um bom professor não nasce pronto. Você pode não reunir todas as condições para ser um bom profissional, mas se quiser poderá se superar.
Por isso, sugiro que todos se reavaliem, tanto os profissionais que já estão atuando quanto os que irão para o mercado de trabalho agora. Procurem responder a seguinte questão: você é feliz fazendo o que faz? Se a resposta for positiva, com certeza, você saberá aparar as pequenas e grandes arestas que a profissão nos apresenta. Agora, se a resposta for negativa, procure outra atividade para você fazer o mais rápido possível porque nem você e nem seus alunos merecerão mais um ano de frustrações.
Professora. zelianolasco@uems.br