Zélia Nolasco Freire *
Alguns me perguntam: Parou de escrever por quê? Por que parou?. Eu já lhes respondo. Vida de professora não é fácil, nunca foi. Ainda mais em final de ano letivo: provas substitutivas, exames, defesas de TCCs ou monografias, reclamações, justamente, daqueles alunos que brincaram o ano todo. E, você ali firme como uma rocha (é o que todos pensam). Eu diria igual a meu pai: “você ali firme que nem palanque no brejo”. Se fosse só isso, tudo bem. Mas, não. As atividades de uma professora não param por aí, pois além de tudo, você ainda tem filhos, marido, casa, supermercado, a secretária do lar que falta sem ao menos avisar e por aí vai. É a tão famosa tripla jornada de trabalho.
Vai chegando o mês de dezembro, você não vê a hora de livrar-se de tudo e entrar em férias, pois a pilha vai simplesmente pifando. Sem dúvida, 2011 foi um ano daqueles! Sem falar que não tive férias durante o ano todo. Por conta dos projetos de pesquisa, por conta dos projetos acadêmicos, por conta dos projetos do marido, querem mais?. Mas, tenho a dizer-lhes que o saldo foi positivo. Oxalá o ano de 2012 seja tão bom quanto esse! Até porque o que me move são os desafios.
Por isso, compartilho com vocês o desafio de me fazerem entender uma questão. Eu, sinceramente, acho que não consegui compreender porque estou exaurida devido ao excesso de trabalho. Quem sabe se vocês me ajudarem? Quem sabe. Vamos lá. É simples, trabalhei o ano todo, economizei, e entre viajar para a Europa e trocar de carro, por enquanto, optei pelo carro. Quem sabe o ano que vem eu me dê uma viagem pela Europa como presente de final de ano. Aah, eu mereço.
Agora o que eu não mereço é ser passada para trás na cara limpa. Como eu ia dizendo, trabalhei, economizei o ano todo para agora poder trocar de carro. Quem não gosta de carro novo? Todo mundo, com certeza. Agora, o que ninguém gosta é ter que ser conivente com as falcatruas, com as coisas mal feitas, etc.
Nem a “Grisélldinha” gosta, aliás, não tenho tido tempo para acompanhar a sua missão quase impossível de querer moralizar esse país, mas nesse instante uno-me a ela em prol e em defesa do cidadão que trabalha. Imaginem vocês que a Resolução 231, de 2007, torna obrigatório o uso de placas refletivas nos emplacamentos feitos a partir do dia 1º de janeiro de 2012 conforme o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A obrigatoriedade das placas refletivas visa aumentar a segurança no trânsito. Ótimo, sempre é bom aumentar a segurança no trânsito. Até aí, parabéns aos responsáveis pela medida.
Como comprei o carro, vou emplacá-lo de imediato com a placa refletiva. Claro, sou favorável a essa medida. Certo? Certo. Mas, para o meu espanto, o Detran, não satisfeito em cobrar o valor de R$130,00 da placa refletiva cobra também o valor de R$70,00 da placa comum. Agora eu lhes pergunto: Por que eu tenho que pagar a placa comum? Se eu não a quero. Por que eu tenho que pagar por algo que eu não vou levar? Por que eu tenho que pagar por algo que já não atende as leis de trânsito? Não seria mais do que o suficiente se eu pagasse somente pela placa refletiva? Ah, eles devem alegar que não podem perder e eu posso?. Passei mais de vinte minutos com o despachante tentando me explicar tudo muito “explicadiiiinho”, mas, não fui capaz de entender.
Já que a placa comum nem sequer foi confeccionada? Por quê? Por que tem sempre um querendo levar vantagem? Por que não podemos fazer um negócio legal: eu ganho e você ganha. Dá para entender? Eu quero a placa refletiva e pago somente por ela. Por que tem que ser diferente disso? Que horror! Terei que chamar o “Pereirão”.
Professora. zelianolasco@uems.br