30/09/2011 14h12 - Atualizado em 30/09/2011 14h12

Avenida Guaicurus: um problema, até quando?

 

Zélia Nolasco Freire

Quisera eu estar aqui para dizer-lhes que nós, trabalhadores, que utilizamos a Avenida Guaicurus, todos os dias, não temos mais do que reclamar em relação à mesma. Para quem não sabe é a avenida que liga a área urbana de Dourados à Cidade Universitária e ao aeroporto. Já que a nossa tranquilidade e paz de espírito voltaram após a sua duplicação. Talvez, utilizando-me do “chutômetro”, sua duplicação inicie em janeiro de 2012 ou 2013. É, janeiro dos próximos anos, pois esse já passou faz tempo e até agora nada. Nadica de nada. Até lá teremos que conviver com a rodovia da morte e superá-la todos os dias. É isso mesmo.

O número de acidentes e de mortes que acontece na Rodovia Guaicurus é grande e assustador. Diante disso fico a questionar o que está escrito em várias placas do DNIT que encontramos por essas rodovias afora. Não me recordo plenamente, mas lá está escrito algo assim: “Aqui a vida é prioridade!” Que prioridade é essa que não serve para a Avenida Guaicurus? Aqui, por acaso, a vida não é prioridade? Vão esperar morrer quantas pessoas? A última vítima, um rapaz de dezoito anos, soldado que servia no 28º Batalhão Logístico – B-Log.

Jovem cheio de vida e de sonhos que foram interrompidos drasticamente. E quantos outros mais já não se foram pelo mesmo motivo: Avenida Guaicurus. Na tentativa de dar um pouco de segurança e diminuir os riscos da travessia, a administração do 28º Batalhão Logístico alterou a rota costumeira e interceptou com cones a entrada ao quartel. Agora, quem vai entrar no quartel deve ir até ao trevo para fazer o retorno e ter acesso à entrada com mais segurança. Fica um pouco mais longo o trajeto, porém foi muito inteligente essa medida. Antes disso, colocaram dois quebra-molas na curva e, agora, colocaram dois quebra-molas em frente ao quartel. Isso não vai parar por aí.

Daqui a pouco, não querendo ser pessimista, apenas, realista, ocorrerão outros acidentes e colocarão mais dois quebra-molas em frente à escola que fica antes do quartel, depois, colocarão mais dois quebra-molas em frente à escola que fica depois do quartel e depois mais dois na entrada principal do Parque Alvorada. Viram que beleza! Quem consegue matar a charada: mais quantos quebra-molas teremos?

Viram como a situação é caótica? Só mesmo quem vivencia esse trajeto diariamente para ter ideia do perigo. Para completar, foi aprovado recentemente o aumento do perímetro urbano de Dourados. Antes com 82 Km², agora, 205 km². Se antes já era difícil atender à população com água tratada, esgoto, iluminação pública, asfalto, creches, escolas, postos de saúde e praças, agora, então, nem se fala. Pois, quase triplicou. Será que a área que vai até à Cidade Universitária fará parte do perímetro urbano? O que se vê até lá são áreas agrícolas ou fazendas, de médio e grande porte, com pouquíssimos habitantes.

Sem falar, é claro, nas construções que na avaliação de uma leiga no assunto, estão irregulares. Isso porque foram construídas às margens de uma rodovia e com um agravante: próximo do aeroporto.

Caso a resposta à pergunta acima seja positiva, isso influenciará diretamente sobre a nossa expectativa da duplicação da Avenida Guaicurus. Antes, tínhamos, pelo menos, uma promessa. Não era muito, mas era uma promessa feita pelo Governador. E, agora? Essa promessa poderá perder a razão de sua existência, visto que com o aumento do perímetro urbano essa avenida passará a ser competência do município. E, aí, as perspectivas são outras, considerando que a atual e única preocupação que ronda a classe política de Dourados é a disputa pela prefeitura. Pelo visto, caros colegas, as nossas reclamações em relação à Avenida Guaicurus continuarão. Resta-nos torcer para que a promessa do Governador continue em pé.

Professora. zelianolasco@uems.br


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