27/12/2011 17h00 - Atualizado em 27/12/2011 17h00

Os escândalos vão melhorar o país

 

Waldir Guerra

Tomara que seu Natal tenha sido bom; o meu, como sempre, foi ótimo e cheio de bons momentos junto com familiares queridos.

Hoje ainda possuído do espírito natalino e com a alma mais leve nesta ultima semana do ano proponho relembrar o lado bom de tantos escândalos que pipocaram em 2011.

Para nós douradenses depois de tantos desacertos político-administrativos foi o ano em que pudemos colocar um fim na instabilidade política da administração municipal. Com a eleição direta de Murilo Zauith, a cidade voltou à calma e agora, com oito meses de sua gestão, o povo já demonstra claramente a confiança nele.

Essa atitude dos eleitores douradenses foi uma clara demonstração daquilo que no mundo árabe passou a se chamar Primavera Árabe. Tudo indica que o que acontece lá no Oriente Médio e Norte da África não seja uma tendência passageira, nem apenas casos isolados. São novas atitudes populares estimuladas pelas redes sociais mostrando que hoje o povo quer, além da sua liberdade, governantes honestos e competentes.

O que aconteceu em Dourados – perdoem-me a petulância – tem muito a ver com essa nova vontade popular.

O povo quer mudanças e neste mundo globalizado, interligado, as pessoas sentem-se encorajadas a propor as alterações que as beneficiem. De nada adianta a gente se assustar com essas reivindicações, elas são necessárias.

E não se assuste você também caro leitor com a divulgação de tantos escândalos na Justiça brasileira. Isso tudo servirá para acelerar discussões dentro da própria esfera judiciária e desencadeará as melhorias tão necessárias ao Judiciário nacional.

Mais uma coisa boa aconteceu neste ano de 2011 e por conta de um plano que fracassou. Foi o cancelamento do projeto TAV, trem de alta velocidade, ou trem-bala, como se tornou conhecido o empreendimento faraônico para ligar Campinas ao Rio de Janeiro com um trem de alta velocidade.

Somado ao fracasso do projeto da Transposição do Rio São Francisco, mais uma obra faraônica com fins eleitoreiros como o trem-bala Campinas - Rio, o governo será forçado a olhar na urgência de uma ferrovia para o transporte de cargas ligando São Paulo aos três estados do sul do país.

E não apenas para os estados sulinos, mas para Interligar o Brasil ao Chile através da Argentina e encurtar o caminho para a Ásia. Essa, sim, uma obra necessária e urgente. Basta ver o quanto estão sobrecarregadas de caminhões as atuais rodovias. O país precisa de ferrovias, muito mais que um trem de alta velocidade.

Outra coisa: não assuste caro leitor, com a queda de tantos ministros em 2011. Não esconda nem mesmo a vergonha em saber que seis deles caíram por corrupção. Desviaram dinheiro público para seus partidos usar em campanhas políticas e eles próprios continuarem no poder. Fique frio! Estamos enfrentando a corrupção.

Em todos esses casos, a revolta para um enfrentamento foi iniciado pela imprensa. O Brasil, graças a Deus, tem uma imprensa com credibilidade alta e com tradição de não se submeter a nenhum tipo de poder, quer da direita ou da esquerda. Foi ela que derrubou os seis ministros e nem precisou ainda da participação do povo.

Alegra-te, pois, caro leitor que a derrota da corrupção já foi iniciada e os corruptos serão alijados do poder. Como? Assim como você, também não sei. A própria presidente Dilma não sabe, mas assim como nós, ela quer e precisa por um fim nisso Mas, anote aí, esses escândalos todos estão eclodindo porque o Brasil quer melhorar.

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. *


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