26/09/2011 14h21 - Atualizado em 26/09/2011 14h21

BR 163, estrada sobrecarregada

 

Waldir Guerra *

Quase impossível dirigir na BR 163 com chuva, ainda mais tendo pressa. E nessas condições devem estar a maioria das estradas brasileiras. Na manhã dessa última sexta-feira o dia amanheceu com chuva. Um compromisso assumido em Campo Grande me obrigou a enfrentar a estrada e apesar de saber que o tempo estaria assim desde Dourados até Campo Grande, a solução foi encarar a rodovia BR 163.

Melhor teria feito se adiasse o compromisso porque a experiência não foi nada agradável. A pressa não era apenas minha, pois todos andam nos limites permitidos apesar da chuva intensa. Assim, fica difícil dirigir atrás de outro veículo que joga água na cara da gente. Pior que isso é ultrapassar uma carreta com trinta metros de comprimento formando na frente uma nuvem de água e impedindo totalmente a visão. Ultrapassar a carreta nessa estrada de pista simples é como fazer da vida uma “roleta russa”.

E se fosse apenas uma, mas são dezenas, centenas de carretas a serem ultrapassadas e que rodam, elas sim, além dos limites de velocidade que lhes são permitidos. Não dá para deixar de pensar como nosso país precisa tanto de ferrovias. Só se vê recordes na produção de carros e caminhões a cada ano, mas não se vê estradas novas sendo construídas. De ferrovias, então, só promessas nas campanhas políticas.

Continuo pensando nos números que o jornalista Edivaldo Bitencourt do Correio do Estado em reportagem de 13 de fevereiro deste ano mostrava os dados que agora releio: Mato Grosso do Sul cresceu, em consumo de energia, 18% de 2005 até hoje. Somente a indústria cresceu 24,8% nesse mesmo período e o número de indústrias que aqui se instalaram cresceu 39%, de 6.835 que eram em 2005, em fevereiro deste ano já eram 9.512.

Se Mato Grosso do Sul tinha até poucos anos atrás dez usinas de açúcar e álcool, hoje tem mais de vinte; e mais vinte em construção. Se todo o aumento de produção – e consequentemente de consumo também – dobrou nesses últimos dez anos, como foi possível transportar tudo isso somente nessa mesma estrada?

Sim, porque aqui no Estado não foi construído outro caminho novo; tudo se transporta pela mesma rodovia que foi construída por Mario Andreazza há quarenta anos. Pior: a ferrovia que vinte anos atrás transportava quase toda a soja do MS aos portos de Paranaguá e Santos, hoje quase sucateada, só transporta parte dos combustíveis que vêm de São Paulo.

E é necessário acrescentar que o vizinho estado de Mato Grosso quadruplicou sua produção, tanto de soja como de milho e algodão e quase toda aquela produção está usando a BR 163 para chegar aos portos. É um verdadeiro milagre que essa rodovia esteja aguentando tantas carretas rodando dia e noite e dando conta do recado. O tráfego na BR 163 está no limite máximo e precisa de solução urgente e essa solução seria aliviar essa rodovia das cargas pesadas recuperando a ferrovia existente e construindo outras novas já projetadas – e muito decantadas.

Com este pensamento chego à Campo Grande e me deparo com largas avenidas novas. Obras pra todo lado. Nossa! Como Campo Grande está bonita! A Avenida Afonso Pena é responsabilidade do município, mas está sendo recapeada desde o Parque dos Poderes até o aeroporto com recursos do governo estadual. Agora me dou conta que Dourados está numa pior se comparada a Campo Grande. Investimentos do governo estadual são necessários em Dourados também. A Avenida Guaicuru é uma rodovia estadual e precisa ser duplicada. A responsabilidade disso é do governo do Estado que tergiversa quando o assunto é abordado.

* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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