Treze de junho: dia da comunidade nordestina no MS

Por: Acelino R. Carvalho - 13/06/2018 07h00

No início da década de 1990, um pequeno grupo de estudantes universitários, percebendo a quase total ausência de manifestações da cultura nordestina em Dourados e região, passou a investigar, em caráter informal, as razões desse fenômeno. A partir de conversas com antigos moradores da cidade, nordestinos, descendentes de nordestinos, sul-mato-grossenses natos ou mesmo pessoas provenientes de outros Estados da Federação, constatou-se que a região fora povoada basicamente por nordestinos, em virtude da criação, na década de 1940, pelo presidente Getúlio Vargas, da CAND - Colônia Agrícola Nacional de Dourados.

Consta de depoimentos que, naquele período, por determinação do presidente da República, um ônibus "batizado" de Asa Branca, recolhia, nas regiões oeste de São Paulo, e norte do Paraná, famílias de nordestinos que não estavam encaminhadas, e as trazia para Dourados com a finalidade de povoar a região e aumentar a produção de alimentos. O governo também trazia famílias diretamente do Nordeste, e distribuía a todas elas uma gleba de terra e alguns animais para "começarem a vida". Como consequência, durante muito tempo, eram comuns manifestações da cultura nordestina na região, com destaque para a culinária, a música, as festas típicas, as danças etc.

Com o passar do tempo, e a vinda em grande quantidade de pessoas de regiões economicamente mais desenvolvidas, ditas manifestações praticamente desapareceram. Foi a partir da compreensão desse processo histórico, que se percebeu a necessidade e, em fevereiro de 1994, um grupo de 22 pessoas, nordestinas e descendentes, com amplo apoio da comunidade local, especialmente dos meios de comunicação, fundou o CTN - Centro de Tradições Nordestinas Asa Branca, tendo como objetivos institucionais: "fomentar o conhecimento, a prática e a difusão da cultura nordestina; promover a integração social e cultural dos nordestinos na região da Grande Dourados; promover a fraternidade entre todos os povos e culturas da região".

Ditos objetivos vêm sendo atingidos principalmente com a realização pela entidade da Festsol – Festa da Carne de Sol, evento que, realizado a dezessete anos de forma ininterrupta, se tornou tradicional, já fazendo parte do Calendário Oficial de Eventos tanto em Dourados quanto de Mato Grosso do Sul. O CTN também recebeu o título de Entidade de Utilidade Pública, conferido pela Câmara de Dourados e já é objeto de estudos acadêmicos junto ao Curso de Mestrado em História da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD.

Neste mesmo período, foi fundado o CTN em Coxim, que também organiza anualmente um grande evento. De igual modo, o CTN de Anastácio, que também realiza anualmente a já tradicional Festa da Farinha. Movimentos nesse sentido vêm ocorrendo também em outras cidades do Estado, como é o caso de Nova Andradina, Rio Brilhante, Sidrolândia, Campo Grande etc.

Para coroar todo este processo, a Assembleia Legislativa aprovou recentemente, por unanimidade, Projeto de Lei de Autoria do deputado Amarildo Cruz, instituindo o dia 13 de junho como o Dia da Comunidade Nordestina no Estado de Mato Grosso do Sul. Também por iniciativa do mesmo parlamentar, foi instituída a Comenda Asa Branca, para homenagear nordestinos e nordestinas que vivem no Estado, cuja primeira Sessão Solene com esta finalidade ocorreu na última segunda-feira (11), uma belíssima festa marcada por fortes manifestações culturais e muita emoção.

O nosso sentimento é, pois, de profunda gratidão a toda comunidade na pessoa do deputado Amarildo Cruz e dos demais deputados estaduais; nossa gratidão também aos servidores pela acolhida calorosa na Assembleia Legislativa para a primeira sessão de homenagens. Aos nordestinos, nordestinas e descendentes parabéns pelo nosso dia; aos simpatizantes da nossa cultura, nosso carinho de sempre. Salve o Nordeste! Salve o Mato Grosso do Sul!

Advogado, mestre e doutor em direito, professor adjunto na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul