Reforma trabalhista

Por: Benê Cantelli - 19/03/2017 15h26

Cada qual, em sua profissão, no exercício de sua função ou cargo, saberá muito melhor estabelecer o que de fato deveria ser uma autêntica Reforma Trabalhista.

Tenho notado por experiência e estudo que, todos os governos visionariamente populistas, tiveram como norte, "ajudar" o trabalhador ou fazendo benesses que, mais tarde, custariam caro para o próprio trabalhador.

Nesse assunto a figura ímpar do grande estadista e presidente Getúlio Dorneles Vargas é indispensável lembrar. Porém, faz-se necessário recordar que nos tempos de Getúlio, não existia horário de trabalho, nem férias pagas, nem descanso remunerado. Por dia se trabalhava enquanto aguentava o corpo. O mundo já vivia realidades diferentes. Não foi uma descoberta, foi tão somente a consumação de que tínhamos espelhos e não queríamos ver.

O Brasil vivia sob a égide da Escravatura. Vergonhosamente, vivemos a Independência política em 1822, enquanto a libertação dos escravos aconteceu em 1888. Devíamos muito aos negros, mas, essa liberalidade confundia a todos, fazendo o trabalho dos brancos uma semi escravatura.

Não apenas os escravos foram vilipendiados em sua força de trabalho, moral, costumes e vida. Para muitos, o negro sequer poderia ser considerado humano. Muitos se preocupam e falam do negro como escravo e nem sequer se lembra do maior prejuízo que tiveram, por não ser considerados como seres humanos. Aliás, poucos sabem porque quase ninguém lê a Sagrada Bíblica, com conhecimento, mas, deriva de uma passagem bíblica a não conceituação do negro como iguais, diante de Deus. A expulsão de Caim do Édem, e a marca que Deus colocou sobre ele para distingui-lo dos demais, para muitos, era simplesmente a sua COR da pele. Eis porque, setores da Igreja, considerando este fato, admitiam o negro como negro e nunca lutaram por sua libertação e equiparação de valor junto aos brancos, caucasianos.

Quanto a Reforma Trabalhista, nos dias de hoje, darei aqui a minha participação, considerando o que entendo depois de tantos anos, como operário do ensino, 41 anos, e como gerador de empregos. Isto é, como empregado e empregador. Meu maior testemunho é: Fui considerado dono da empresa que trabalhava quando nela era apenas um empregado. Fui considerado empregado quando numa empresa era o seu dono.

Veja: Para o bom e destacado empregado todo patrão é bom, honesto e paga muito bem. Para o bom empregador, os empregados, seus fiéis colaboradores, devem ganhar muito bem, claro, nos limites que a sua empresa pode, e nunca terão necessidade de olhar para o vizinho para saber se lá as coisas são melhores. Não precisam esperar época de reajuste para fazê-lo. Os países que agem assim estão no topo e as empresas que se comportam com essa necessidade, estão na frente de todas. No entanto, fazer isso sem a devida qualificação administrativa e, num país onde o governo é seu maior sócio, pode levar ao insucesso.

No Brasil, permitir que o governo faça qualquer Reforma Trabalhista é dizer que não haverá reforma alguma, pois a primeira Reforma passa pelos cortes da exagerada fome que o governo tem, sobre os dividendos ou salários dos empregados. O maior sócio numa empresa, é o governo, sejam eles: municipal, estadual e federal. Todos querem comer, se locupletar daquilo que nada merecem.

A Reforma Trabalhista que não passar por duros cortes naquilo que o Governo tira, surrupia, arranca dos cofres de uma empresa, jamais beneficiará o trabalhador e nem aos empresários. Do empregado não há mais o que tirar; das empresas não há gorduras a arrancar, do Governo é triste ver o que fazem com o dinheiro arrecadado, e o que permitem que se faça com ele, sob a forma de corrupção, peculato e outras mais.

REFORMA TRABALHISTA, sim, mas começando por redefinir o que o governo tira, nefastamente, tanto dos empregados como dos empregadores.

Redução da fome e da ganância. O resto, o próprio mercado se encarregada de resolver e sanear. Bom dia e melhores tempos, para todos nós.

*Professor e Campista (bncantelli1@gmail.com)