Quando a educação e a segurança perdem a importância

Por: José Alberto Vasconcellos - 17/12/2016 06h00

Todos sabemos que os interesses fundamentais da sociedade civilizada e organizada constituem-se num tripé: SAÚDE, EDUCAÇÃO e SEGURANÇA. Quando não há manutenção, ou mesmo a existência de um serviço público, que cuide da saúde da parcela mais numerosa da população, reconhecidamente desprovida de meios próprios para tratamento dos seus males, como acontece atualmente em nosso Brasil, temos de reconhecer: a administração pública está falida e não cheira bem!

Os vários canais que temos da TV mostram, diariamente, o caos que tomou conta sistema público que deveria cuidar da saúde do brasileiro. Médicos assinam o ponto e caem fora da repartição, sem atender ninguém. Esquecem-se eles, de que estudaram em faculdades de medicina sustentada pelos impostos pagos pelos trabalhadores, que eles agora abandonam à própria sorte, deixando, covardemente, alguns colegas honestos sobrecarregados e desarmados para o serviço.

Numa entrevista, uma família inteira, juntamente com o paciente, um cidadão idoso acometido de câncer na próstata, choravam ao saber que teriam de esperar QUATRO ANOS, para o início do tratamento (?!!!) As TV´s nos mostram, todos os dias, equipamentos médicos mantidos encaixotados por anos ou sem funcionar por falta de manutenção; prédios de hospitais caindo aos pedaços, com severas infiltrações, sem ar condicionado, desprovidos de um palmo sequer de esparadrapo, para um curativo. A isso (omissão e caos) os governos (federal, estaduais e municipais) denominam SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE!

Quantos milhares de brasileiros já morreram e ainda morrerão à míngua ABSOLUTA de qualquer assistência médica? Quantos mais, senhores políticos — ladrões do Erário — que cuidam apenas dos seus interesses e anulam os esforços dos pares honestos, que pretendem fazer alguma coisa e são vitimados pelo engavetando das propostas? Até quando, estupefatos, ficaremos assistindo políticos fecharem os olhos, para as desgraças que a miséria provoca no seio da pobreza até nas demandas mais rudimentares, e de custos insignificantes? Parlamentos federais, estaduais e municipais, mantidos com o suor do trabalhador, com requintes no abuso do desperdício e absoluta falta de qualquer interesse no trabalho, que deveriam, por dever de ofício, executar em favor do povo que os elegeu, são tão inoperantes, que quando o Governo Militar fechou o Congresso com o AI-5, praticamente ninguém sentiu a falta "deles"; apenas "eles" sentiram o desmame!

A verdade que aflora nos dias atuais é que o POVO está com nojo desse sistema político, falso e mentiroso, que se revela nu e podre, aos olhos da Operação Lava-Jato que busca, com a Orquestra da PF e do MPF, conduzida pela batuta do Maestro Sérgio Moro, corrigir com inusitado e louvável empenho, a música e a letra do Hino Nacional, indispensáveis para recolocar o Brasil no ritmo de pais civilizado no concerto das Nações. No mais e para não deixar uma cratera no presente escrito, lembramos do filme "LULA, o filho do Brasil." Pesquisado o "Google", nos revelou que foi o filme mais caro produzido no Brasil: custou R$17 milhões à Oderbrecht, à Oas e à Camargo Corrêa. Ninguém — artistas, produtores e diretores — ganhou "Oscar" .

O "avant-première foi a bordo de um avião, no qual o "filho do Brasil" assistiu o lançamento do filme, numa cópia clandestina, conforme noticiou a imprensa na época. O certo e que o tal filme anda sumido, contudo — em temos de Lava-Jato — falta saber que interesse tiveram as empreiteiras de obras públicas, em patrocinar a tal "película épica", que custou R$17 milhões de reais, produzida para mostrar ao Brasil e ao Mundo, o significado de "NUNCA ANTES NESTE PAÍS!!!"

Afinal, para que servem a EDUCAÇÃO e a SEGURANÇA, para aqueles que tem de esperar QUATRO ANOS por um consulta médica, enquanto definha corroído pelo mal que o acomete, e cobra imediato tratamento? A carência de solidariedade humana, em comunidades que se julgam civilizadas, conhecedoras dos dramas e das aflições dos irmãos necessitados, sem alcançarem-lhes ajuda tempestiva e eficaz, para aliviá-los, juntamente com suas famílias que também sofrem, infringem a lei dos homens e a Lei de Deus. A covardia dos omissos é assentada no Livro do Juízo Final.

Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: josealbertovasco@yahoo.com.br