Pedagogia sistêmica e a síndrome de Burnout

Por: Denise Caramori de Souza - 13/03/2018 07h00

A síndrome de Burnout é caracterizada principalmente pelo sintoma de exaustão emocional. Esse sintoma de exaustão emocional surge de um esgotamento, um sentimento de não ter mais energia para trabalhar, uma sensação de impotência, tensão, impaciência, nervosismo, falta de motivação em relação às atividades profissionais e até mesmo, depressão.

É o sentimento de insatisfação profissional que resulta de falta de confiança nas próprias habilidades e competências, é uma verdadeira mistura de sentimentos que desfavorece a felicidade no trabalho e impede a pessoa de evoluir e aprender.

Infelizmente a síndrome de Burnout tem atingido um número muito grande de profissionais da área da educação, professores estão adoecendo em sala de aula.

A Pedagogia sistêmica consiste em educar e ensinar no amor, onde a firmeza e a sensibilidade permitem que haja ordem, e, através dela, deixar o amor fluir. O amor dos pais fluindo nos filhos é a força da educação.

Ela vem para ajudar os professores, não é um novo método de ensino, mas uma nova postura em sala de aula. Esta abordagem permite equipar os professores com segurança emocional para lidar com os problemas do dia a dia que vão parar na sala de aula, sim, porque os problemas familiares dos alunos vão para dentro da sala de aula, assim como os problemas pessoais e familiares de cada professor.

A visão da pedagogia sistêmica nos mostra que existe muito mais "além do aparente", como cita a autora Olinda Guedes no seu livro – "O que traz quem levamos para a escola?". Outro livro de extrema importância para o aprendizado e para a vivência da pedagogia sistêmica nas escolas é chamado – "Introdução à Pedagogia Sistêmica uma nova postura para pais e educadores" – do autor Jean Lucy Toledo Vieira.

Na escola existe um encontro de vidas, quando o professor sistemicamente tem a atitude de "eu vejo você" perante o aluno, com sua vida, com tudo que pertence a ela, suas histórias, sua trajetória e consegue se colocar no lugar de professor, apenas professor, sem se sobrecarregar emocionalmente agindo como mãe ou psicóloga do aluno, dificilmente ele adoece. E quando o aluno também vê o professor com sua história, sua trajetória, seu destino, tudo o que carrega aí se estabelece o respeito e consequentemente a paz. Quando há paz, podemos ter tranquilidade e confiança, e seguros, podemos aprender.

Criança precisa de um ambiente seguro, sua curiosidade natural é apoiada pela confiança construída através da convivência, segurança e tranquilidade para aprender, para seguir autoconfiante pela vida, aprendendo sempre mais. Na escola, o aluno precisa sentir "aqui eu existo, aqui eu estou incluído e aqui eu posso me sentir seguro".

Adoecemos não somente por causas orgânicas, mas também devido as emoções, por conta de sofrimentos do coração. Ambientes conflituosos, agressivos, adoecem. Adoece professores, pais e alunos. Cooperação, serenidade, disponibilidade, humildade, alegria e criatividade tornam os ambientes saudáveis.

A Pedagogia sistêmica nos ajuda a desenvolver a paz nas palavras, paz nas atitudes, paz na família, paz na escola.

Psicopedagoga e terapeuta. (denicaramori@hotmail.com)