Para recomeçar o Brasil XVII

Por: Carlos Alberto Vittorati - 10/01/2017 10h31

Estamos retomando os nossos contatos, agora no início de 2017, quando era nosso desejo falar de grandes transformações econômicas e da reversão total da crise em que o país se encontra mergulhado. No entanto, é preciso que sejamos claros e que admitamos que as dificuldades econômicas que o país enfrenta estão longe, ainda, de serem superadas. É importante que se diga que 2017 será um ano importante de travessia para condições menos dolorosas e de saídas para situações mais confortáveis, desde que o Governo, o congresso e o Judiciário façam, cada um, a sua parte.

Ao governo, caberá impor a si e aos estados membros da federação brasileira, condições de austeridade econômica e financeira, a fim de que a falência, hoje anunciada, do Setor Público, seja ao menos minimizada. Ao congresso cabe a responsabilidade de aprovar as medidas que se fazem necessárias, com responsabilidade e com coragem, levando em conta, sempre, que a conta não pode ser paga apenas pelas camadas mais pobres da população. E, ao Judiciário, cabe corrigir os rumos das coisas, quando aos outros poderes da República faltar o juízo e a decência necessários para que as coisas sejam feitas do modo mais correto e mais honesto possível.

O nosso grande problema reside no fato de que a Câmara Federal (dos deputados) passou, ao final de 2016, por um período de profundo "inferno astral", pois, todas as medidas que por lá foram provadas foram consignadas de forma "torta" e deturpada, sendo configuradas, sempre, em benefício dos votantes e não segundo o interesse do país. É importante torcer e esperar que em 2017, a mesma Câmara consiga enxergar as coisas por uma ótica mais de acordo com os interesses da população do país e, de uma forma menos corporativista. Mas, pela qualidade dos deputados que lá militam, sinceramente, acredito que estamos esperando muito. Então, ficam frustradas parcelas importantes das esperanças depositadas no ano que começa. Mas, também, não dá para contar com a derrota antes que ela aconteça. Vamos esperar para ver. Se bem que, no caso atual do país, não dá para esperar. É mais importante pressionar e exigir aquilo que entendemos que seja importante e necessário. Mas, para que ocorram as melhoras que estamos almejando, será preciso que, em 2018, elejamos um conjunto de deputados e senadores muito acima do que temos hoje.

Precisamos, também, que o Poder Executivo mostre um mínimo de capacidade propositiva. Até agora só vimos medidas reativas, que contiveram gastos e que trataram apenas da questão fiscal. É preciso que se pense, com urgência, em uma política que consiga recuperar a capacidade produtiva do setor industrial, que melhor valorize a nossa produção primária e que tenha a capacidade de reativar grande parte do setor de serviços do país. Ou seja, o Governo precisa sair da situação de lamento contínuo para uma situação de enfrentamento real da crise, até mesmo porque só cresce a economia que produz. E, o Brasil está precisando retomar a sua capacidade produtiva. Ou seja, precisamos sair do lamento para a atitude; do choro para a vontade de sorrir. Precisamos acreditar que o país pode mais. Mas, para que isto aconteça, precisamos ser liderados por alguém que tenha esta capacidade. Ah! Como nos faz falta um Churchill, uma Margaret Tatcher ou um Ronald Reagan.

Bem que 2017 poderia ser o ano em que se produzisse uma ampla e profunda Reforma Política, uma inteligente e eficiente Reforma Tributária e uma transformação geral do modo de governar, com um Governo corajoso, que começasse a fazer valorizar o produto nacional e impedisse o país de comprar e consumir tanta "porcaria" importada.

Graduado e pós graduado em Ciências Econômicas e professor universitário de Economia e Finanças. e-mail: vittorati.econ@bol.com.br