Para recomeçar o brasil (XVI)

Por: Carlos Alberto Vittorati - 27/12/2016 09h49

É claro que estamos vivenciando o clima de Natal e de fim de ano, com as evidentes projeções de transformações, que são características destes momentos. É importante que acreditemos que podem haver transformações nas sociedades e no mundo. É necessário que a esperança persista, até mesmo porque sem esperança não há mais porque existir. E, o Governo resolveu contribuir para a renovação das esperanças, com a liberação do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviços – contas inativas, prometendo colocar 30 bilhões de reais na economia. Que bom! É preciso que o Governo continue se lembrando que os pobres existem e que precisam da atenção governamental.

No entanto, não há como deixar de enfatizar que a geração atual degenerou e, que dela não se pode esperar grandes coisas. Levei muitas broncas e muitos puxões de orelhas porque muitas pessoas me disseram que não se pode desacreditar, de forma tão clássica, dos seres humanos. Mas, infelizmente, eu tinha razão e, a Câmara de Deputados Federai tratou de corroborar o que eu vinha afirmando. Senão, vejamos.

Graças à intervenção da senadora Vanessa Graziotin, ficou explicitado que a Câmara Federal estava por aprovar, na calada da noite, uma medida que transferia, para as companhias telefônicas da iniciativa privada, um patrimônio público avaliado, pelo TCU – Tribunal de Contas de União, em 100 bilhões de reais. E, a coisa não parava por aí, estava sendo aprovada, também, a concessão de uma anistia de 20 bilhões, nas multas que os órgãos de defesa do consumidor haviam aplicado à estas companhias e, que, efetivamente, não foram pagas. Isto será que estava se dando por um mero acidente de percurso? É claro que não. E, veja que não adianta fechar uma porta que, quem não tem princípios e correção, vê se lhes abrir outra. É evidente que isto estava sendo aprovado porque alguém estava levando uma "baba gorda". É mais do que evidente que estas companhias não estavam sendo premiadas pelos bons serviços prestados ao país. E, então, por que o presente? Quais os motivos que justificam tais benesses? E, não me venham dizer que isto está sendo dado porque as companhias iaô investir no mercado nacional. E, por que eu e você, caro(a) leitor(a) não somos alvos de tão generosos presentes? Será que só as grandes companhias é que merecem?

Outra coisa que precisa ficar clara é que as grandes companhias, a despeito, de a sociedade ter sido acordada e se levantar contra a doação do patrimônio público às teles, continuam sendo imensamente privilegiadas na economia brasileira e, por conta disto, é preciso que se tenha claro que existem, como eu já chamei à atenção, cidadãos de primeira e de segunda categorias. Para os beneficiados, pra os amigos, tudo; para os demais, os rigores da Lei. E, e isto fica evidente, na medida em que o Governo está lutando para tentar eliminar um "rombo"de 170 bilhões de reais, mas o governo tem, de dívidas e multas das grandes companhias, a receber, algo próximo a 400 bilhões de reais. E, por que não o faz? Por que não age, de forma consistente, para receber o que a Justiça já lhe garantiu como efetivo? Será que o Governo continua tendo "dívidas morais" com as mega corporações? O que é que continua sendo escondido da população? Por que não se jogar as coisas às claras?

É evidente que continuamos esperando que o Governo continue propondo coisas importantes e positivas para que o país consiga sair da crise econômica em que o país se encontra mergulhado. Mas, é preciso que efetivemos uma torcida muito consistente para que a Câmara Federal consiga sair do inferno "astral" em que se encontra. Faz tempo que a Câmara Baixa do Poder Legislativo não consegue produzir algo em sintonia com o pensamento da população. Rezemos e peçamos para que, em 2017, o Poder Legislativo consiga jogar para o Brasil.

Graduado e pós graduado em Ciências Econômicas e professor universitário de Economia e Finanças. e-mail: vittorati.econ@bol.com.br