Para recomeçar o Brasil (xiii)

Por: Carlos Alberto Vittorati - 07/12/2016 10h38

Semana passada, nós falávamos de recompor o substrato ético do país, até mesmo porque não basta endurecer as leis e criminalizar a corrupção. É preciso fazer com que as novas gerações voltem a ter vergonha na cara. E, por que estamos falando das novas gerações? Porque a nossa geração falhou. A nossa geração, do ponto de vista de preservação de valores, de cumprimento de estamentos legais e de outras normas de boa convivência social, degenerou. Não somente os políticos que se degradaram. E, é preciso reconhecer isto com clareza, até porque se o político que está atuando em Brasília é ladrão e desonesto, a culpa maior é de quem o colocou lá.

No entanto, a despeito de tudo o quanto a votação efetuada na Câmara Federal efetivou de tristeza e envergonhamento para o país, o mesmo país foi chamado às falas com o grandioso gesto de respeito, de solidariedade humana e de generosidade que foi apresentado ao mundo pela sociedade e pelo povo da Colômbia. Como aquele povo, que nós ignorávamos, foi elegante com a Chapecoense, com os seus dirigentes e com os membros falecidos da imprensa nacional, e, com o Brasil, como um todo. Como é bonito ver gestos de educação e elegância; como é lindo ver um povo demonstrar uma situação de respeito às pessoas, mesmo que de outro país. Não tenho a menor vergonha de admitir que chorei muito, em especial porque foi muito duro perder tantas pessoas jovens, que tinham um futuro brilhante pela frente. E, não foi só neste caso, como também no da Boate Kiss e tantos outros. E, por que tantas tragédias? Será que nós realmente precisamos delas para aprender o que significa carinho e respeito pelo outro?

De outro lado, quando imaginávamos que a semana iria terminar com uma imensa lição de humildade, de simplicidade, de honestidade de propósito, eis que vem à baila a imensa e grandiosa vergonha perpetrada pela Câmara Federal dos Deputados, que desfigurou um projeto de iniciativa popular, que visava combater a corrupção, transformando-o em um elemento legal de preservação e de ampliação daquilo que se queria combater: a corrupção. Que país é este, já se questionava Renato Russo. Por que não conseguimos aprender com os bons exemplos?

E, o pior é que a coisa toda teve a contribuição direta de 6 (seis) deputados e deputada federais de Mato Grosso do Sul. Que fato lamentável! O nosso estado não merecia. E, olha que a gente já possuía alguns parlamentares cuja atuação tinha começado no nada e caminhava para lugar nenhum. Mas, foi dolorido e surpreendente o voto de representantes outros de quem esperávamos mais ou nem esperávamos por tal papelão.

No entanto, a cada dia que passa é muito confortante ver que a sociedade brasileira está ativa e ciente do que está sendo feito em seu nome. Que espetacular ver que mais de 400.000 brasileiros e brasileiras não tiveram a menor vergonha de ir às ruas e gritar que os 351 que votaram a "manobra de desqualificação das medidas anti corrupção" não os representam. Tomara que ainda existam tantos com vergonha na cara. Será? E, eu que cheguei a achar que Deus falhou; que Ele, apesar de onisciente e todo poderoso, criou um ser humano capaz de coisas cujos adjetivos não podem ser escritos em um espaço tão privilegiado quanto este, de tão prestigiado órgão de imprensa.

Mas, a pergunta que fica é: o que fazer, já que o Congresso Nacional, com a cara mais inofensiva e inocente irá votar para defender os interesses dos seus. De prático irá ficar a máxima de que a sociedade que se dane Bom, já que no relatório do deputado Onix Lorenzoni as 10 medidas anticorrupção viraram 12, que tal se aos brasileiros e brasileiras aproveitarem o domingo, dia 12 de fevereiro, para organizarem o dia dos 12 milhões na ruas, para que fique claro que a sociedade civil brasileira quer viver e se organizar de forma decente e justa; sem corrupção. E, eu proponho, também, que sejam lidos, nesta data, em cada estado da federação, os nomes de cada um dos representantes locais, que compõem o seleto grupo dos 351, com o firme compromisso de que a sociedade civil irá trabalhar, de forma firme e decidida, para que eles, em 2018, não sejam, reeleitos.

Graduado e pós graduado em Ciências Econômicas e professor universitário de Economia e Finanças. e-mail: vittorati.econ@bol.com.br