Não precisamos de generais. Precisamos de decência!

Por: Antonio Carlos Siufi Hindo - 16/12/2016 16h23

As delações que estão sendo produzidas pelos executivos da Odebrecht apontam para um abismo político que parece não ter fim. Mais de duas centenas de políticos de diferentes agremiações partidárias, segundo a grande imprensa nacional, estão sendo alcançados pelas suas ações nefastas. Isso com relação a apenas à Odebrecht, que já reconheceu dias atrás que cometeu atos que conspiraram em desfavor da própria empresa e da nação brasileira.

Foram desvios de bilhões de reais que se tivessem sido bem aplicados em nossas rodovias, sistema elétrico, portos e aeroportos, bem como nas áreas essenciais como educação e saúde melhorariam substancialmente a vida do nosso povo. O pedido de perdão não serve para nada. Ladrão será sempre ladrão. Não interessa quem ofereceu a propina. Tampouco importa quem a recebeu. Os dois lados são cúmplices do mesmo crime. Esse tipo sórdido de comportamento sempre acompanhou o ser humano.

O dinheiro é a raiz de todos os males. Está na Bíblia dos cristãos. Ele é o móvel de todos os crimes. A ganância humana é infinita. O ser humano, não conseguiu entender ainda que somos passageiros. Dessa vida não levamos nada. Apenas deixamos o que de bom, e de ruim produzimos.

Mas essa situação não pode se constituir na regra. Ela precisa conhecer seus limites. Não somos obrigados como homens de bem a continuar assistindo esse quadro horroroso que a política nos impõe todos o dias. Nesses momentos de desespero muitos gritam pela volta dos Generais. Isso não é correto. Os heróis da Pátria não se forjam apenas nas academias militares ou em campos de batalha. Os homens, decentes e dignos, também são encontrados em todos os campos da atividade laboral.

Da inteligência do magistrado que distribui a Justiça à do incansável professor que na singeleza do seu labor constroem o nosso futuro e ainda, dos que produzem bens e riquezas e são fomentadores de princípios nobres e elevados. Nesse extenso campo da atividade humana certamente encontraremos as lições de heroísmo, de amor à Pátria, às liberdades civis e democráticas, bem como os valores morais, culturais e éticos, que tantos necessitamos para a condução dos nossos negócios políticos.

Quando vemos a figura de um Barão do Rio Branco, que conseguiu com a força da sua inteligência diplomática, dar a configuração final das nossas linhas de fronteiras com os nossos dez vizinhos, sem nenhum tipo de confronto armado, podemos alicerçar melhor a nossa opinião.

Esse é apenas um dos muitos exemplos que encontramos inseridos nos anais da nossa história. Nesse diapasão o poder central e os decorrentes dos demais entes federados precisam continuar nas mãos dos civis honestos e decentes. Não precisamos de mais nada. Não desconhecemos a importância dos militares. Eles sempre se constituíram na instituição garantidora da ordem pública, da defesa da integridade física do nosso território e da soberania nacional. São essas, as suas funções ditadas pela Carta Constitucional.

Temos que olhar para frente. Precisamos dar o devido valor para as nossas conquistas. Esses valores todos aliados àqueles relacionados com a nossa família, com os nossos sentimentos de liberdade e de civismo para com os nossos iguais precisam urgentemente se constituir no alicerce que sedimentará o estado democrático de direito, ambição e desejo de todos nós. Isso não é pouca coisa. Por isso, precisamos observar atentamente como os líderes das grandes nações conduzem os seus povos. Nenhum regime militar resultou eficaz do começo ao fim da sua atuação. A história da humanidade está repleta desse ensinamento. As nações civilizadas não aceitam mais esse tipo de interferência. Quando ocorrem tem uma implicação negativa e direta nos campos diplomáticos e comerciais. O isolacionismo é o caminho para os que escolhem essa direção. Hoje, os tempos são outros. O povo brasileiro não aceitará resignadamente esse tipo de comportamento. Somos um povo amante da paz e da concórdia. São circunstancias essenciais da nossa índole e que não guardam nenhuma consonância com os regimes de força.

Promotor de Justiça aposentado. e-mail: dr.hindo@hotmail.com