Mentira tem pernas curtas

Por: Pe. Crispim Guimarães - 19/05/2017 07h00

O conhecido chavão popular que uso neste título traz certa verdade. É claro que algumas mentiras perduram um pouco mais, especialmente aquelas que são camufladas por ideologias que amortecem a consciência moral. O fato é que no tempo histórico "mil é como um dia...", também como reporta a Bíblia, pode até demorar para a condição física, mas aparece na história.

Este artigo foi escrito às 15h de quinta-feira, dia 18 de maio de 2017, ao sair hoje, sexta posterior, já deve estar defasado, pois o assunto tem novidades a cada minuto. E o tema que trato aqui é a vida política brasileira.

Uma sucessão de escândalos se sobrepõe dia a pós dia nos noticiários, onde empresários e políticos das três esferas do poder são pegos pelas mais variadas falcatruas, delapidando o erário público em beneficio próprio. A política, que para muitos se resume a filiação partidária, neste caso, é causa de preocupação para quem sabe da sua necessidade para a construção de uma sociedade mais justa. E o grande problema da justiça não é saciar somente a fome, o é também, mas especialmente é capacidade de seus agentes agirem com honestidade.

Para além do conceito de honestidade restrito na lei, muito ainda há a se fazer para mudar a vida nacional. Nem todo lei favorece a honestidade! O que se observa no Brasil é profundamente triste. O casamento de grandes empresários e políticos deixa uma vítima evidente, o pobre. A bola da vez para não repetir o que ouvimos e vemos todos os dias é o JBS e seus executivos, o presidente da República, Michel Temer, o senador ou ex-senador, tudo muda rápido, o ex-ministro da fazenda Mantega, e certamente muitos outros que aparecerão nesta delação, afinal o grupo em questão teve uma ascensão meteórica nos últimos 10 anos.

O sistema está apodrecido, por isso, a reforma das reformas é a política, para a qual já acena a CNBB, a OAB e outras entidades com a discussão provocada pela "Coalizão", tema tratado no meu Programa Ponto de Vista em 30 de agosto de 2014, como representantes das duas entidades citadas, e levado para a coleta de assinaturas aqui na diocese de Dourados, por minha iniciativa.

Diante dos fatos que se impõem a não permanência de Temer, voltam-se os olhos para o próximo mandatário e as formas de escolha. Mas escolher quem? Para via posta pela Constituição, seria o Presidente da Câmara, até escolher por voto dos congressistas alguém para um mandato tampão, e já aparece um nome: "Carmem Lúcia", Presidente da Suprema Corte, talvez dos nomes mais evidentes, o único com certa lisura.

Pela via da eleição direta, teria que achar uma via constitucional, antecipando o pleito de 2018. O problema de agora, e penso será também do próximo ano, é verificar quais figuras se apresentam capazes de apaziguar um país numa crise tão profunda. Lula tem um contingente de eleitores considerável, mas sobre ele pesa inúmeras acusações, Geraldo Alckmin, mais 10 governadores, aparecem em listas de caixa dois, outros nomes conhecidos também têm acusações. O que pode surgir são nomes que talvez não possam administrar com ética e competência um país continental como o Brasil, e eles já despontam: João Doria, Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes, entre outros.

Sejam novos e não envolvidos em escândalos desta magnitude, mas que aparecem como aventureiros, sejam experimentados na política, mas denunciados na justiça, só tem um prejudicado, repito, o pobre, é ele que paga o preço da corrupção e das aventuras. Não é possível mais conviver com tamanho descaso. Por isso, a Reforma Política é urgente, e já está em discussão no Congresso, mas por enquanto, parece ser encaminhada para salvar a pele dos caciques partidários.

É hora de acreditar na justiça, nas demais instituições e ajudar a construir propostas realista para o Brasil.

Pároco da Catedral de Dourados, MS (crispimguimaraes@yahoo.com.br)