18/01/2012 17h49 - Atualizado em 19/01/2012 06h49

Vamos aos fatos: realidades ou promessas

 

Manoel Marques Cardoso *

Fico as vezes revoltado pelo fato de que o dinheiro que nos levam em impostos seja tão difícil de retornar para nossa cidade, e quando retornam, muitos contribuintes cansados de tantas expectativas e espera inútil, que pagaram pelo mínimo de conforto a vida inteira, já estão combalidos ou até mortos.

Esses mesmos cidadãos que tem uma saúde miserável, indecente, que afronta nossa inteligência. Vivem em ruas de barro puro durante as chuvas e poeira torturante nas estiagens, vivem cabisbaixos à espera das migalhas que o governo federal destina para melhoria de vida desses desafortunados. E para que essas míseras verbas venham é preciso toda uma incansável luta de nossos bravos deputados, conforme leio no Progresso de sábado último, matéria publicada pelo deputado Geraldo Resende que além de outros enfoques, citou sua infância pobre e barro que amassou quando criança.

Isso deputado, não é novidade nenhuma, a grande maioria da população brasileira advém dessas tristezas todas, o senhor pelo menos saiu delas e hoje desfruta de um status ao custo anual para os douradenses e brasileiros da ordem de quase Sete milhões de reais ao ano, por isso, sua luta está medianamente paga e o senhor portador de princípios de decência, em grande falta na classe política, como acabamos de assistir o ministro da Integração explicando o inexplicável, vem dar satisfação de sua incansável luta através deste matutino.

Comprar um terreno e pagar duas vezes, só o Sr. Bezerra sabe explicar, nossa inteligência não alcança semelhante hermenêutica política. Vamos aos fatos:

O senhor fala em uma inegável conquista de Dez milhões de reais que somados a generosa aquiescência da Governadora em exercício vão se transformar em Doze milhões de reais, para asfaltar 10 bairros de grande intensidade demográfica, uma vez que se trata de redutos da periferia. Raciocinando como contribuinte, teremos num cálculo linear, o montante de Um milhão e duzentos mil reais para cada bairro.

Sem levarmos em conta o modus operandi brasileiro, toda hora a imprensa falando em superfaturamentos de obras, inclusive destinadas a enchentes, mortos e desabrigados, com desvios de alimentos doados para as vítimas da região serrana do Rio de Janeiro, por um deputado estadual, o que mostra a gula de pessoas pelo dinheiro que não é seu e imaginando que nada disso ocorra com as verbas empenhadas, o senhor imagina que estas verbas serão suficientes para o que é básico nesses serviços de infra estrutura? Tubulações de esgotos, passagem da rede de água, drenagem de águas pluviais e depois o tão sonhado asfalto.

Como é do seu sobejo conhecimento, em muitos casos primeiro se asfalta, depois rasga-se tudo de novo para o que deve ficar debaixo da terra, deixando o asfalto um verdadeiro caos, claro que em ano eleitoral, o asfalto é o mais visível e é o que mais interessa. Não é mesmo? Bem, não quero me alongar muito nestas questiúnculas, vão a outro assunto que está deixando o pessoal do Indaiá, assombrado.

No dia 13 de janeiro de 2010, o deputado Marçal Filho postou no jornal O Progresso matéria, fazendo mais ou menos o que o senhor fez, um demonstrativo de suas grandes batalhas junto ao governo federal, ainda na maravilhosa era Lula, ocasião em que bravamente conseguiu uma verba de Dois milhões para asfaltar o Jardim das Primaveras e os Altos do Indaiá cujo empenho recebeu o numero 900395 de 31 de dezembro de 2009. (Pelo visto, o finalzinho do ano é ótimo pra se conseguir verbas).

Agora, por uma enorme coincidência, o senhor fala em asfaltar de novo os Altos do Indaiá. Claro que deve existir uma explicação lógica para essa repetição e nós douradenses temos alguma dificuldade de entender procedimentos políticos.

Será que suas verbas vão demorar o mesmo tempo que estão demorando os Dois milhões do Sr. Marçal, que apagou 2 velinhas no ultimo dia de 2011. Sr. Geraldo, somos frágeis e muitos de nós não vamos agüentar esperar tanto e como o senhor sabe, defunto não vota. Dê uma forcinha para que esse dinheiro se materialize em obras. Afinal a felicidade só se completa com o presente nas mãos e esses ainda são sonhos.

Economista/empresário , mail manoelmarquescardoso@hotmail.com


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