Manoel Marques Cardoso
No último texto aqui publicado, várias pessoas através de e mails me pediram para continuar a historia, a partir da internação na Associação Filantrópica de Marília.
Dei algumas respostas, informando que a tristeza por se sentir sozinho, agrava os sentimentos tanto de adultos como de crianças, com estas últimas o gravame é maior pela dependência de alguém com quem você não tem nenhum vinculo familiar, mas esse assunto, ou essa fase, trouxe alegrias pelo convívio e tristeza pelas lembranças dos tempos em que vivi e convivi com as crianças da minha idade lá nas Minas Gerais. Gostaria de tratar neste texto das leis que regem a vida dos adolescentes como se estes e seus pais fossem completos descerebrados.
Quem tem que decidir se seu filho ou filha tem condições de trabalhar ou não, são seus pais, estes têm pleno conhecimento das aptidões de um jovem entre 14 e 16 anos, idade que pela hipocrisia do ECA se forem admitidos em alguma atividade, o empregador comete infração e afronta ao direitos do adolescente.
Existem jovens que nessa faixa etária tem pleno domínio de seus desejos e vontades, cujo desenvolvimento num local de convívio com outros profissionais, terá condições de conhecer-se a si próprio, exercer escolhas, passar por situações em que seus sentimentos serão colocados a disposição das variações que a vida vai lhe proporcionar, responsabilidade, respeito, conhecer seus limites, valorizar seu tempo em atividade produtiva e começando a formar sua folha corrida, alicerçando seu futuro profissional.
Vez por outra assistimos jovens nessa faixa etária sendo presos (só aparentemente) por portar, transportar e vender drogas. Outros cometem pequenos roubos afrontando pessoas que estão cumprindo seu legitimo direito de ir e vir, com um agravante, muitas vezes são pessoas de pequenas posses que ficam sem seus pertences, advindos de trabalho honesto e dignificante.
Como foi tratado no editorial desta semana do Progresso, jovens de 13/14 anos embebedando-se nas ruas por terem todo o tempo disponível e nenhuma responsabilidade de levantar cedo no dia seguinte e exercer algum trabalho condizente com sua idade e aptidão.
A adolescência é tempo de amadurecer e os pais nem sempre estão preparados para enfrentar as descobertas dos filhos no convívio com seus pares, freqüentam festas, namoram, desfrutam da sexualidade, jogam e ficam na internet que hoje abre bons e maus caminhos.
Eles estudam sob enorme pressão dos pais e da própria sociedade, sentem-se, porém, tolhidos em muitos outros impulsos para evitar o tédio no tipo de vida que estão levando, sem resultados tanto financeiros como de realização pessoal, que é o motor da indução ao caminho da disciplina e responsabilidade.
Ficam sabendo por exemplo que um ex operário chegou à presidência da republica, sem os estudos que se pretende deles. Ficam sabendo que nas estatais, Banco do Brasil, Furnas, Caixa Econômica Federal, em levantamento de 2009, num universo de 138.000 funcionários, existem 944 empregadas analfabetas, outros 10%, ou seja 13.800 pessoas tinham apenas o ensino fundamental.
Essas empresas que deveriam ser exemplo de premiar o estudo têm esse contingente de mulheres que nunca estudaram e outras fizeram apenas o fundamental, isso naturalmente coloca o adolescente em questionamento da necessidade de estudar, se existe a disponibilidade de empregos em empresas do próprio governo.
Consta da Enciclopédia Delta Universal, na página 8510 que já em 1980 o Brasil era um pais com elevado índice de mortalidade de pessoas jovens, os baixos níveis sócio-econômicos, habitacionais e educacionais de grande parte do povo, contribuem para agravar os problemas de saúde. Dos municípios brasileiros 56% não possuíam a mais rudimentar organização sanitária”. Pergunto ao leitor, de 1980 para 2011 o que mudou? Absolutamente nada !!!
No Brasil temos leis para tudo, para respeitar idosos, crianças, deficientes, como se isso não fizesse parte da educação mínima que todos devemos trazer do berço.O prefeito Murilo diz que temos 15.000 crianças (7,5% da população) aguardando vagas nos Ciems. Afinal, o que foi feito antes para evitarmos esse caos?.
Economista/empresário
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