Manoel Marques Cardoso *
Sempre que algo te incomoda, precisa saber se esse incômodo é comum, se mais alguém partilha de seu modo de pensar.
Tive a felicidade de ler o ponto de vista da Vanessa Barbara (Folha de S.Paulo) e do primeiro a mencionar o fato na revista sãopaulo o articulista Fabrício Corsaletti, mencionou os inconvenientes de uma televisão ligada num ambiente em que você foi para uma refeição acompanhado de amigos ou parentes, não só com a finalidade de se alimentar, mas compartilhar momentos em que vários assuntos podem ser abordados, comentados, enfim, uma troca de experiências, inclusive alguns assuntos que nos causem alguma descontração, sem, naturalmente, grandes gargalhadas que teriam o mesmo efeito poluidor da televisão ligada.
Tudo na vida tem seu tempo determinado, há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Via de regra, a prática de ver TV, devia limitar-se a intimidade do lar e ao aconchego do sofá.
Há poucas semanas tivemos o caso de um BBB que foi expulso do programa, parecia coisa armada para melhorar pífia audiência do reality show, com cujo assunto fomos bombardeados via escrita e televisiva.
Nem com a publicidade dada ao caso a audiência de Rede Globo saiu do marasmo dos 15,6 pontos de média no mês de janeiro, cuja medição feita das 7h da manhã à meia noite, o prejuízo em audiência foi generalizado, o que mostra que deixar televisões ligadas em estabelecimentos públicos acaba sendo uma imposição quase autoritária.
Numa tarde destas fui com minhas duas netas, uma de 4 e outra de 8 anos, após se divertirem num parquinho, tomar um lanche numa lanchonete do local. Escolhemos um lugar o mais longe da televisão possível, mas não tem muito como escapar daquele incomodo.
Num dado momento, com um cantor aos berros, impedindo que conversássemos, pedi a uma garçonete que abaixasse um pouco o som, uma vez que estávamos apenas nós e um casal com uma criança de um mês no colo, que por acaso era nosso conhecido.
Veio um sujeito com cara de gerente perguntar se o som estava nos atrapalhando, porque no seu entendimento, as pessoas gostam de assistir televisão enquanto tomam seus lanches.
Neste momento fui até o casal e perguntei o que achava daquela televisão naquele volume.
Disseram em uníssono que se desligassem seria um favor, primeiro porque o som estava muito alto e o cantor não era exatamente seu desejo de consumo. Mesmo assim o sujeito pegou o controle remoto e deu um toquezinho e o volume praticamente continuou o mesmo.
Quando o leitor vai a uma churrascaria com a família, o momento deve ser de tranqüilidade, deixar as crianças se manifestarem livremente, contar suas peripécias, o que leva a descontração da família e dos demais comensais.
Você está conversando com alguém que está com os olhos acima da sua cabeça, de olho na televisão, mesmo que não esteja interessado, o aparelho tem o dom de deixar você em segundo plano, uma vez que o interlocutor pode, muitas vezes, nem estar prestando atenção no que você está dizendo. Nada mais constrangedor do que falar sem ser ouvido.
Será que os donos de restaurantes e lanchonetes não percebem que a televisão é um concorrente desleal no equilíbrio de uma conversa sadia e própria de uma família, uma vez que ela não dá espaço, não dá um descanso, não para nunca de emitir sinais que muitas vezes, além de irritantes, completamente fora do contexto.
Sou suspeito em falar de televisão, primeiro porque não perco tempo com nenhum programa que não seja um noticiário de meia hora e de um nível compatível com as informações propostas.
Está para ser publicado um livro que conta o cotidiano de Michelle Obama e sua família, inclusive o presidente dos EUA. O advogado Barack Obama. Nesse livro consta que as 18,30h todos os dias estão todos sentados à mesa para o jantar e que 21,30 horas vão todos dormir, numa demonstração de regras para o bom padrão de vida.
Será que eles têm uma televisão ligada na hora do jantar?
Economista/empresário e mail manoelmarquescardoso@hotmail.com