15/09/2011 16h42 - Atualizado em 15/09/2011 09h42

Os pedestres

 

Manoel Marques Cardoso

Existem alguns motoristas que acham que não são também pedestres, dado ao fato de como dirigem seus carros pela cidade, num total desrespeito às faixas de travessia de pedestres (quando elas existem).

Dia destes vinha transitando de carro pela rua Ponta Porã, quando cheguei no cruzamento com a rua Toshinobu Katayama, parei nos limites recomendados pela legislação, mais ou menos um metro antes da “stop line” que é alinha que antecede a faixa de pedestres.

Veio uma Hilux, passou por mim e foi parar no alinhamento da guia, quase entrando na rua Toshinobu. Veio uma Fiat Strada e fez o mesmo foi parar no mesmo alinhamento.

Eu me senti um perfeito idiota, por estar respeitando o que recomenda a lei, deixar livre a passagem de pedestres. Fato como esse ocorre com muita freqüência, porque determinados motoristas dão a impressão que saíram do palácio Francês de Chambord, são quase donos do mundo.

Nada contra esse modus operandi da maioria dos motoristas, até porque vivemos num dos países mais corruptos do mundo e nos damos muito bem com essa bandalheira, afora os protestos de Brasília semana passada que me encheram de esperança.

Num outro episódio, vinha transitando pela Marcelino Pires quando chegou a celebre rotatória, entrei para continuar na Marcelino, quando vi três crianças e duas mulheres que começaram a atravessar onde deveria existir uma faixa de pedestres, mas esse fato não invalida que o pedestre tem preferência em qualquer circunstância.

Parei no meio da rotatória esperando as crianças e as mulheres concluírem a travessia. Atrás estava um carro buzinando de forma intermitente, como se eu estivesse precisando ser acordado.

Segui meu caminho pela direita para deixar o apressadinho passar, no farol da Presidente Vargas o sujeito ficou esbravejando e fazendo gestos pouco republicanos como se eu tivesse cometido um crime contra seus direitos, outorgados por Lula através dos diversos planos de ajuda a pessoas, que ainda não estão preparadas para usar um veiculo, especialmente aquele que estava jorrando ferrugem para todos os lados. Subiu na vida, mas desceu em educação e respeito a quem lhe ajudou a subir.

Quero com isso mostrar que enquanto não tivermos um policiamento ostensivo e rígido no cumprimento das normas de trânsito, vamos ter gente se matando pelas ruas, motoqueiros morrendo por absoluta imprudência e pedestres sendo desrespeitados no seu direito mínimo de transitar com segurança pelas calçadas e, especialmente, ao atravessar ruas.

Vamos ver o que disse o arquiteto Alexandros Wassburn diretor de desenho urbano da cidade de Nova York: “Caminhar é a atividade mais importante na cidade”. “Tanto pelo lado cultural como pela sustentabilidade...” “ Ë por isso que Nova York é uma cidade vibrante, o espaço publico é importante para construir confiança de todas as classes e etnias. Quando toma a decisão de colocar o pedestre em primeiro lugar, você adota um ponto de vista. Você vê os problemas pelos olhos de um cidadão caminhando pela rua. Só para completar, sobre o desrespeito ao cidadão, vou colocar o que disse a Cilly Kruger Issler de São Paulo, no painel da Folha: “Alguém poderia me explicar como o STF decide que o pedestre atropelado por um motorista bêbado é crime culposo e não doloso? Não conheço bem termos jurídicos mas como cidadã, interpreto a decisão como “obstrução à justiça”

O Supremo Tribunal Federal, com essa decisão contribuiu muito para a impunidade, uma vez que o sujeito que se embebeda, pega um carro e sai por ai cometendo loucuras, está usando não um revolver, mas uma arma mais letal, porque pega o transeunte de surpresa enquanto que o ladrão avisa, “Isso é um assalto” e a vítima faz o que toda policia recomenda, entrega tudo sem a menor reação.

Estamos longe de atitudes civilizadas, somente vamos nos conscientizar de respeitar o semelhante quando sentirmos na alma o peso dessa falta de respeito que tem resultado em paranóias, depressão, ansiedade, pânico e medo de sair de casa, são alguns resultados dessa brutalidade toda que assistimos cotidianamente.

Economista/empresário e mail: manoelmarquescardoso@hotmail.com


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