15/02/2012 18h24 - Atualizado em 15/02/2012 18h24

As meninas e a bebida

 

Manoel Marques Cardoso *

Como o leitor sabe, ninguém nesse mundo atribulado, cria nada, apenas interpreta fatos e dá sua versão, especialmente se o grau de informação que recebemos for originário de fontes dotadas de um bom grau de intelectualidade. No dia 7 de fevereiro último, tomei ciência de uma pesquisa elaborada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em 16 estados brasileiros, que nós dá conta de uma situação pouco ortodoxa, as meninas a partir dos 14 anos estão consumindo mais bebidas alcoólicas do que os meninos em igual estágio de idade e formação.

No Brasil, temos mais leis do que o necessário, mas temos escolas e bons professoras de menos.

Todos sabemos que é proibido vender bebidas alcoólicas a menores de idade, mas alguém se lembrou que eles compram as bebidas de sua preferência livremente, a qualquer hora do dia e da noite, sem nenhuma restrição legal ou moral, tendo muitos de nós como testemunhas e que nada fazemos.

Só para se ter uma noção, temos 3.8 milhões de crianças fora da escola e para piorar a última avaliação do Pisa em 65 países, com alunos de 15 anos, pela OCDE os nossos alunos de escolas particulares tiveram média 502, similar aos alunos de escolhas norte americanas.

Os nossos alunos das escolas estaduais e municipais, tiveram nota 387, semelhante à nota dos Alunos da Albânia.

Segundo dados do Enem, das mil escolas pesquisadas (contanto apenas as escolhas que tiveram mais de 75% de participação dos estudantes) 92% das mais bem posicionadas são particulares.

Ou seja, o governo nos leva a uma separação entre ricos e pobres, começando pela desigualdade na educação que oferece e aquela dos os ricos tem à disposição.

Por uma análise da psicóloga Rosely Saião, temos alguns fatos a serem considerados, dos quais nós mesmos somos os primeiros a incentivar e muitas vezes negligenciar.

Se observarmos o comportamento das nossas crianças menores de 6 anos, vamos observar que os meninos se vestem e se comportam como moleques, tem interesses de moleques e brincam como tal.

Já as meninas são pequenas mulheres, vestem-se como mulheres, tem interesses em assuntos de mulheres feitas e gostam se brincar de ser mulher.

Sem que atentemos para esses detalhes, as meninas pulam essa fase da infância com a maior facilidade.

Segundo a psicóloga nós os adultos temos levado as meninas na faixa de 8/9 anos a comemorar aniversários em salões de beleza.

Elas ganham roupas provocantes, sapatos de salto precocemente (eu comprei juntamente com minha neta um desses sapatos ontem a noite), têm seu próprio arsenal de maquiagem.

Agindo assim estamos colocando as meninas com atitudes de mulheres adultas, deixando a fase da criancice fora de padrões de vida que normalmente deveriam ter, afinal, até os treze ou catorze anos essas meninas deveriam ser e agir como meninas que são.

Garotas de 14 a 16 anos estão em pleno processo de conquista de autonomia e vivendo seu tempo de amadurecer.

Com a ajuda da família e da escola, elas poderão chegar lá, sem as expectativas e pressões de sucesso escolar, e muitas vezes comportamental, como se isso sinalizasse alguma coisa de melhor na vida dessas jovens.

Ainda segundo a psicóloga, a forma que essas jovens têm encontrado para reduzir o estresse provocado por essas pressões, a ingestão de bebidas, que não deixa de ser mais uma queima de etapas a que essas meninas vem sendo submetidas desde começaram a brincar de mulheres adultas.

Com a ausência do estado e suas leis anacrônicas, podemos e devemos atentar mais para esses detalhes e procurar manter nossas meninas como crianças por mais tempo, reduzindo sensivelmente nossas expectativas para que se tornem pequenas mulheres precocemente.

Posso conjecturar que tudo somado, possa estar contribuindo para a precocidade nas práticas sexuais que tem causado enormes problemas para as famílias, especialmente as de baixa renda.

Economista/empresário e mail manoelmarquescardoso

 
 
 
 
 
 
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