És moço com a tua velhice. És velho com a tua mocidade. Wagner
Por Julio Capilé . *
O que é velhice? Muitas pessoas arrastam o peso da velhice com pouco tempo na terra. Outras esbanjam juventude com muitas décadas de existência. Pode-se dizer que é um estado de espírito? Ou será coisa da moda? A geração da década de 1950/60 parece que empurrou a velhice para frente. Os que eram crianças naquele tempo transformaram o mundo. Suas mães, então, eram velhas aos quarenta anos, isto é, se comportavam como pessoas velhas, sérias, compenetradas de sua qualidade de matronas; vestiam-se como tal. As mães de 40 anos de idade não faziam o que as atuais quarentonas fazem. Eram “coroas” respeitadas! As mulheres dessa idade, hoje estão na flor do viço, competindo quase em pé de igualdade com as de 20. A vestimenta é juvenil, a ginástica, a malhação, as festas, bailes, ritmos, trabalhos, tudo não muda dos 18 aos 50 anos. A velhice acabou.
A causa disso terá sido a maior abertura nos relacionamentos? Os homens também hoje são mais joviais que os dos tempos idos. Lembro-me que o pai com 40 anos era chamado de “o velho”. –“Já falou com o velho se pode fazer isso? Se não, então não faça. Veja se ele consente”. Essa disciplina é que envelhecia? Os mais velhos eram chamados de “senhor”. Hoje é “você”. Isso é um mal? Parece que não, pois está empurrando a velhice para bem longe. A mulher diz com a maior sem cerimônia “vou fazer sessenta anos” e geralmente está inteira, com tudo em cima como se costuma dizer. O que aconteceu?
A humanidade está se transformando em melhor, mais solidária, mais justa e racional; menos odienta. Embora haja violência por toda parte e parece crescer a cada dia, o conjunto humano está bem melhor. Os que são violentos revelam-se como tal e por isso aparecem na estatística, mas seu crescimento é muito menor que o crescimento populacional, donde se deduz que, proporcionalmente, hoje há mais gente boa que antigamente. “O que estava oculto foi revelado”, como diz a profecia.
Se a pessoa tem a mente limpa, sem maldade, sem ódio, sem mágoas inúteis, não envelhece. É como diz um espírito amigo: “a melhor plástica para o rosto é o sorriso. Sorria sempre!” E é isso aí. Quando a gente vive só pensando no bem não tem estresse. Vive bem com a vida, é simpático para todo mundo, recebe sorrisos e boa vontade por toda parte. É feliz. Este mundo não é de felicidade, mas a gente pode fazê-la “para uso interno” e ela aparece à nossa volta. Todos notam. Mas se vive azedo, fica mais evidente. Fala-se em ver a aura das pessoas. Tenho a impressão que todo mundo vê, só não faz uso com treinamento apropriado, pois todos notam quando alguém “está cô ovo” como diziam os cuiabanos antigos.
Não é difícil viver bem. Há vicissitudes, problemas, dores, carências, mas os outros não têm nada com isso. O problema é nosso. São obstáculos a transpor ou contornar. Pra quê os outros saberem? Não está neles o resolver. Os índios antigamente, isto é, quando ainda eram índios na sua pureza, não pediam socorro por nada. Resolviam por si os problemas ou perdiam. Qualquer coisa que fosse inelutável, diziam simplesmente “tovê”. Isto significa mais ou menos “deixa pra lá”. Ele não podia resolver, porque se preocupar!
A humanidade civilizada criou preocupações desnecessárias. Estas envelhecem as pessoas. Os vincos faciais vão-se acumulando e quando a pessoa vê, ficou velha. Daí o fato de as pessoas hoje em dia serem mais abertas, mais descontraídas e também mais confiantes em Deus. Isto rejuvenesce. A bondade faz bem. Sejamos bons e seremos jovens.
Médico em Brasília. Escreve à 4ªs feiras no O Progresso.