27/12/2011 17h04 - Atualizado em 27/12/2011 17h04

Resposta imediata

 

Julio Capilé *

Em toda parte as pessoas vivem a pedir benefícios a Deus, a Jesus e aos santos ou Espíritos Superiores, esperando a concretização ou a resposta imediata à sua “oração”. Em qualquer templo religioso existe gente de mãos estendidas. Uns pedem aprovação num concurso realizado, outros, que sua profissão seja bem paga, ainda outros, pelo casamento de sua filha, que seja feliz. Esperam que o “milagre” do pão nosso de cada dia, conforto espiritual e que Jesus ou o Espírito Guia estejam sempre a postos para consertar sua vida. No entanto, todos os pedintes se esquecem da infalibilidade da Lei que dá a cada um a resposta que merece, pois tudo acontece em razão direta de sua conduta agora ou em outro tempo. A resposta de Deus acontecerá em Seu tempo. No entanto existem casos em que a resposta é imediata.

Lembremos do caso citado em Marcos, 3:5, a respeito do homem que tinha uma das mãos mirrada. Mostrou a Jesus esse defeito físico e o Mestre lhe disse “estende a mão”. Ele a estendeu e ela ficou sã como a outra. O que aconteceu? Jesus lhe devolveu a oportunidade de trabalhar. E o Mestre sempre recomendava após um prodígio: ”vá e não peques mais”. Ensinava assim que os sofrimentos eram oriundos de “pecados” pregressos. Milagres para coisas materiais só se for para reparti-lo com outros ou para retificar seu modo de ser.

Há um fato no Evangelho que chama a atenção da resposta imediata. Foi na ocasião da morte de João Batista. O povo esperava Jesus para ouvi-lO sobre aquela injustiça. Ele passou sem nada dizer e subiu no barco, ordenando que fossem para uma praia distante. O barco singrou costeando o lago. O povo, pressuroso, o seguiu pela orla até a praia em que aportou.

Cansados sentaram-se na areia. Jesus condoeu-se. Aproveitou a oportunidade para lhes dar uma grande lição: a do desprendimento e da solidariedade. Era comum levarem nos alforjes algo para comer, mas ninguém teve coragem mostrar o que tinha. Teria que oferecer ao vizinho. Então Jesus perguntou aos discípulos: “Que tendes?” Responderam: cinco pães e três peixes. O Mestre ordenou: “então alimentai-os”. Houve um riso constrangido na multidão. Mas aquela pergunta que tendes ressoou no espírito de cada um.

Os discípulos partiram pães e peixes e ofereceram aos mais próximos que constrangidos abriram os alforjes e seguiram o exemplo. Então cada um passou a alimentar-se e compartilhar com os vizinhos. Aconteceu o “milagre” da solidariedade e parece que todos tinham muito alimento oculto, pois sobraram cestos de pães e peixes.

Acalmada a ira da turba, Jesus começou a falar e nada disse sobre o infausto acontecimento do Batista. E a multidão se desfez em paz. Essa passagem é conhecida como a multiplicação dos pães e é explicada pelos exegetas bíblicos como uma espécie de derrogação da Lei. O “milagre” acontece quando há solidariedade e espírito de caridade.

Ninguém recebe nada de graça. Tem que fazer por onde. Uma cura como a da mão mirrada e outras têm explicação pelo alinhamento das células, a energização da água contida no organismo e a mediunidade de efeitos físicos em que a ação do magnetismo com a ectoplasmia pode modificar o físico, levitar e transportar objetos, etc. Isto que escrevo soa como heresia, mas o faço para convidar ao raciocínio lógico. Devemos estudar e pensar sem medo. Por isso Deus nos deu o livre arbítrio.

Médico.Escreve às 4ªs feiras no O Progresso. e-mail:julio.capile@apis.com.br


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