Por Julio Capilé *
A natureza nos ensina que nossa vida tem que ser renovada diariamente. Tudo muda a cada dia e nós como parte dessa natureza temos que mudar também. Nossa mudança, entretanto, deve ser em dois sentidos: no físico e no espiritual. Nenhum dia é igual a outro. Uns são alegres, serenos e felizes, isto é, o que sentimos. Outros aparecem ofuscados por brumas de desentendimentos, incidentes desagradáveis, preocupações. N/ao nos detenhamos na amargura que por vezes aparecem. Sigamos em frente, pois tudo o que passamos são disciplinas da escola da vida, são aulas que devemos aprender o que é bom e o que nem tanto. Deus não dá cargas superiores à nossa força. Por isso é preciso que nos renovemos diariamente para, a cada disciplina, fixarmos conhecimentos que muito servirão para evoluirmos espiritualmente.
Há ocasiões em que nos tornamos mais enérgicos ao sermos obrigados a passar determinados ensinamentos ao nosso semelhante, quando o merecer. Ficamos pesarosos por isso, mas, ao observarmos o aproveitamento que foi para ele, sentiremos algo suave como uma carícia espiritual a nos premiar com a consciência tranqüila e o sono do justo.
Nossas vibrações, em determinadas circunstâncias, podem variar, rapidamente, da luz para a sombra e até às trevas, mas se vivermos a vida consciente, podemos ajustar a vibração e voltarmos à luz imediatamente. O que não se deve guardar é mágoa e ressentimento, mas sim compreender que aquela atitude foi necessária. A renovação deverá ser de tal forma que a cada dia possamos subir um degrau na escada da evolução. Isso demanda vigilância constante e conscientemente usar cada instante para as necessidades, no bem, para conosco ou com a pessoa em foco. Umas requerem doces palavras de encorajamento e outras necessitam de admoestações fortes. Em tudo, porém, com boa dose de amor e compreensão.
Se à vezes somos obrigados a ser ríspido com alguém para que se conscientize e guarde o ensinamento, também devemos ser enérgicos para conosco. Em nós não podemos perdoar nada que tenha indícios de amoralidade. Aos outros, devemos perdão e compreensão, pois nunca sabemos o quê levou a pessoa cometer aquele ato.
Sabendo disso, renovemo-nos a cada instante, em encontros fortuitos com o semelhante na via pública, no trabalho, em casa onde está a verdadeira escola evolutiva; enfim, que estejamos sempre preparados a tirarmos ilações de cada fato à nossa volta, pois todo momento é próprio para nos renovarmos para o bem.
Antigamente, em casas em que havia muita gente costumava haver a disciplina ”sujou? – lavou”. Todos seguiam a regra e viviam bem. Na convivência diária poderíamos usar o “desagradou? – pediu desculpas sinceras”. Nossa luta por evoluirmos às vezes não é compreendida e recebemos ataques. Revidar não adianta, mas em ocasião oportuna devemos mostrar o porquê fizéramos aquele ato. Temos obrigação de vivermos em paz e amorosamente com todos. Para isso muitas vezes requer um pedido de desculpa ou de perdão.
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.