Por Julio Capilé
Jesus apareceu a Saulo de Tarso às portas de Damasco. Cheio de ódio em função de sua fidelidade à Lei e aos Profetas, o Doutor da Lei empreendera a viagem com a finalidade de calar aquela boca que “envenenara” o coração de sua amada e o fizera réu perante a própria consciência, por haver condenado à morte Jesiel, o Estevão do Cristianismo, irmão da mesma criatura dona de seu coração. A vibração da luz do Mestre deixou Saulo momentaneamente cego. Com o fim de regenerar pessoas escolhidas por serem “quentes” no dizer evangélico, Jesus apareceu em sonho a Ananias, o perseguido por Saulo e lhe disse: “Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui Senhor!” (Atos, 9:10).
E por que o Mestre agiu assim? Para empregar pessoas capazes de cooperarem na redenção do mundo. Ananias, o perseguido, foi o orientador de Saulo e quem lhe abriu os olhos da carne e da alma. Daí por diante Saulo passou a ser nova criatura.
Nessa bondosa orientação, Jesus procurou mostrar a Seus seguidores que sem a compreensão do sentido de irmandade não haveria a remissão da pessoa e, consequentemente, o mundo nunca seria de regeneração. Sendo atendido caridosamente pelo seu “desafeto”, Saulo recebeu a lição da caridade e, em suas meditações, compreendeu o motivo daquele chamamento do Mestre.
Passados os tempos, os que deveriam ser os seguidores e servidores de acordo com os ensinamentos de Jesus procuraram desvios escabrosos principalmente do século II ao IV. A excelência do cristianismo ensinada por Saulo, agora Paulo, desapareceu. Mas o Mestre não Se desespera e aguarda sempre a boa vontade de cooperadores em Sua missão.
No dizer de Emmanuel, “os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens”. Ele espera que cada um que O conhece faça sua parte na redenção do mundo. No entanto, os homens vivem a pedir que Ele lhes traga as benesses nem sempre merecidas. Ele continua à espera dos braços para a realização das tarefas junto aos “pequeninos”. Mas “a seara é grande e os trabalhadores são poucos”. Por isso, deve demorar muito para a redenção da humanidade.
Somos cooperadores da Divindade e como tal devemos pôr a mão na “charrua” com ânimo do trabalhador de todas as horas. Para ser promovida a mundo de regeneração, esta nossa mãe Terra necessita da redenção de seus filhos. A promessa de Jesus é que os mansos herdarão a Terra e segundo o Apocalipse de João ficará aqui apenas um terço dos atuais moradores do planeta, encarnados e desencarnados. Acaso haverá, atualmente, mansos suficientes para somar esse um terço? Tenho a impressão que não.
Mas não desanimemos, a eternidade não tem pressa e a promessa será cumprida. O terceiro milênio ainda tem mais de nove séculos a percorrer. Teremos muitas encarnações para aprimorarmo-nos e aprendermos a excelência do trabalho e, até lá, o merecimento que Jesus espera de nós.
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.