15/11/2011 14h54 - Atualizado em 15/11/2011 14h54

O Semeador

“Eis que o semeador saiu a semear.”- Jesus (Mateus, 13:3).

Por Julio Capilé

julio.capilé@apis.com.br

O Divino Mestre sempre procurou ensinar de um modo simples e compreensivo para que todos, daquele tempo e agora, entendam. Ele nos ensina que devemos “sair” para semear, isto é, sairmos de dentro de nós e mostrarmo-nos da melhor maneira, exemplificando as lições com nosso modo de viver e de agir.

Para seguirmos a orientação d’Ele, temos a obrigação de sermos o mais simples possível. O humilde entenderá bem, assim como o magistrado. Todos gostam da simplicidade, mas como me disse um amigo político: “Não é fácil ser simples”! De fato, a humanidade tem a tendência de querer parecer o que não é e enfeita suas frases com palavras pouco conhecidas. Faz sucesso em um discurso, em uma palestra, em uma solenidade, mas no dia a dia o palavreado deveria ser o mais simples possível.

O semeador que Jesus menciona não foi a mando de ninguém. Saiu a semear. Isso, do ponto de vista espiritual, quer dizer, sair de si próprio para semear no solo espiritual. O amanho da terra requer cuidado e por isso o discípulo deve usar de caridosa compreensão da alma do interlocutor. Geralmente os seguidores do Mestre tinham o cuidado de antes preparar o terreno com alguma beneficência, algum prodígio, algum favor, para depois lançar a semente naquele solo assim preparado. Nosso trabalho, pois, é estarmos sempre a postos para servir com simplicidade e amor fraterno. O obreiro de boa vontade tem a necessidade imperiosa de renovação e sair de si próprio para semear na lavoura de corações cansados e de almas ao desalento. Encontrará empecilhos e muitas sementes se perderão como relatado na Parábola do Semeador. Mas é natural que isso aconteça porque nem todos estarão preparados para germinar as benesses do Reino.

O êxito na semeadura dependerá de deixarmos o ponto de vista. Aprendendo a nos libertarmos do “eu”, visualizaremos o campo das “necessidades dos outros”. Ao nos dedicarmos ao interesse geral, aproveitaremos melhor a semente na terra das almas.

Foi assim que Jesus pautou sua vida entre nós. Começou pelos humildes pescadores e foi alargando o campo a semear nas almas de ricos e pobres, de doutores da lei e ignorantes, entre velhos e moços, fariseus e publicanos, jovens e velhos, mulheres e crianças. Ele teve que esconder sua grandiosidade luminosa para viver à sombra entre o povo humilde ao qual deu a oportunidade de manifestar um pouco de luz, seguindo Seus exemplos. Ele poderia enviar milhões de espíritos de luz entre nós, mas preferiu vir pessoalmente, humilhando-Se para nos exaltar.

Eis o campo dos tristes e sofredores. Saiamos a semear!

Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.



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