Por Julio Capilé *
Um dos sentimentos mais perniciosos que a pessoa possa ter é o medo. É uma vibração atávica do tempo das cavernas pelo instinto de ataque e defesa. Com a civilização, com a evolução espiritual em que estamos, ter medo é, até certo ponto, incompreensível. Mas a maioria da humanidade tem esse atavismo presente. E é prejudicial, pois com o medo desaparece o raciocínio lógico.
As pessoas em variadas ocasiões são prejudicadas por serem acometidas do medo. No Evangelho de Mateus encontramos a admoestação ao servidor que recebera um talento e que o enterrara por medo do patrão (Mateus, 25:25.). Por ter medo deixou de servir bem ao seu senhor. Tendo o Mestre deixado nesta parábola o ensinamento de que o medo não deve fazer parte do cristão, nossa obrigação como Seus seguidores é extirparmos de nosso íntimo esse sentimento.
O timorato tem medo principalmente do futuro. E o futuro começa um segundo depois do presente. Então vive com medo. Não faz amizades “do peito”, não se entrega, não dá oportunidade a si próprio para desenvolver uma amizade duradoura e feliz. Está sempre desconfiado. Por vezes não desenvolve um trabalho, como na parábola não usa os dons (talentos) que tem. Passa a vida se esquivando de assumir responsabilidades e termina a encarnação com o talento enterrado. Não o devolve com lucro ao Patrão, o Senhor da Vida. Lógico que uma encarnação assim, é perdida: veio para ser um empreendedor e não realiza a tarefa programada.
O medo, além do atavismo, pode ser impresso pelos pais no período da primeira infância. Se os pais ou um deles têm medo de coisas simples como baratas e em várias ocasiões faz um estardalhaço na presença daquele ser que a ninguém ataca, é lógico que a criança guarda a aversão e passa a ter medo de todos os insetos . Todas as abusões que expuserem ao menor, este registra para sempre e, com a imaginação fértil de infância, cria novos receios: medo do escuro, medo da solidão, medo de tudo.
Uns têm medo de desapontar os outro, outros têm medo de sofrer e mesmo na alegria fica de “pé atrás” desconfiado de tudo. Alguns têm medo da incompreensão alheia. Outros têm medo da dor. Quando vivo têm medo da morte e na erraticidade têm medo da vida. Dessa forma a evolução é muito lenta.
No entanto, a pessoa que tem fé, essa força poderosa que se pode desenvolver tendo a certeza absoluta de que é filha de Deus e fé em si própria, pode realizar grandes feitos, forma em torno de si um ambiente sadio e alegre criando a oportunidade de auxiliar muita gente. Em assim vivendo, seremos o servidor que o Senhor aprova e abençoa.
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.