Julio Capilé *
Apesar de o cristianismo ser apresentado, geralmente, para a coletividade; apesar de maior parte das pessoas receber benesses, milagres, curas e consolações em conjunto; apesar da repetição diária dos ensinamentos e exemplos dignificantes; apesar, enfim, de estar no mesmo nível de compreensão do companheiro ao lado, a manifestação sutil do desejo de seguir aqueles exemplos, é individual. Manifesta-se na pessoa que, daí por diante, procura seguir todos os ensinamentos e luta por ser cada dia melhor, praticar o bem até com sacrifício e seguir à risca as normas do Mestre, apesar dos outros.
A maioria recebe conhecimentos e ajuda espiritual, mas se não recebe alguma vantagem desejada apesar do “sacrifício” de alguma horas por semana, passa a questionar, achando que não vale a pena rezar, dar esmolas e outros auxílios ao semelhante, se as vantagens que tanto deseja para auxiliar mais gente, não vem. Igualmente, concebe a idéia de que ninguém poderá fazer mais e melhor. Que só santo poderá seguir aquilo que está escrito e que foi exemplificado por Jesus, Seus apóstolos e outros ao longo do tempo. Quando vê um irmão lutar por viver conforme o Cristo, o julga exibicionista ou, na melhor das hipóteses, fanático.
Membros de qualquer denominação religiosa lêem o Evangelho ou congêneres e até fazem estudos sistemáticos da Doutrina que segue, mas acham que o “tempo dos milagres” já passou. Pensam que atualmente a vida é outra e que devemos compreender que ante tecnologia avançada, o que antes apareceu como milagre, algum dia pode ser facilmente demonstrado pela ciência. Desanimam de seguir o caminho da evolução e concebem desculpas para justificar sua fraqueza.
Com o passar do tempo o seguidor fiel, que não parou um só dia de praticar o bem por atos, palavras e comportamento e nem observou o bem que faz, por ser já um hábito, ficará isolado e muitas vezes impossibilitado de expor conceitos por não ser compreendido. Quem se sacrifica pelo bem passa a ser esquisito para os demais. Por viver a caridade sem preconceitos e por desejar melhorar-se sempre, convive com a solidão. Todos os grandes cientistas dedicaram-se anos a fio em benefício da humanidade. Fizeram o bem pelo bem. Foram pessoas esquisitas, afastadas do convívio comum, intoleráveis até. Adiantaria dizer o que faziam? Estavam em um fito e ainda não haviam chegado ao fim e comprovado sua teoria. Durante a pesquisa e mesmo depois, só a solidão como companheira.
O seguidor do Evangelho também acaba na solidão. É o fanático, é o anormal. Não sabe aproveitar a vida. Já imaginaram a solidão de Chico Xavier, da Madre Tereza de Calcutá, do Dr. Schwarts lá em Lambarene, África. Mesmo atualmente o Divaldo Pereira Franco? Todos viveram no meio do povo, mas estavam sempre sós no modo de pensar. Nenhum “amigo do peito”, isto é, igual, com o qual pudesse compartilhar pensamentos e mesmo as dúvidas, que todos têm o que deve acontecer a Divaldo e outros da atualidade.
Embora isolados e incompreendidos, não podem parar. Quanto mais evoluídos mais necessidade sentem de avançar.
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.