Por Julio Capilé
Quem estuda a Doutrina Espírita conhece a Lei de Ação e Reação. Tudo o que fizermos receberemos de volta. Tudo que sobe, um dia desce. A Lei determina igualdade de intensidade no retorno. As pessoas vivem ansiosas em receber com fartura. Que o salário seja aumentado, que tenha gratificação, que acerte na loteria (e que seja acumulada e um só ganhador, o próprio). Nisso sempre o sonho é bem alto, mas quando pensa em doar alguma coisa, sempre tem limitações. “Esse pobre não precisa de tanto”! “O que ele vai fazer com tudo isso?”
E a gente vê nas igrejas de todos os cultos a doação é menor do que para as coisas mundanas. Mesmo nas sociedades onde há a caixa beneficente vê-se moedas em vez de cédulas. A maior parte das pessoas é parca em dar e com ambiciosa ansiedade em receber. E o que possuímos de fato? Todas as coisas materiais que temos, são empréstimos do Criador. Nossa posse é tudo o que temos na alma. O que vale para o lado de lá são as boas obras, pensamentos, solidariedade, tolerância, benemerência, enfim, caridade.
Se tivermos a alma e a vida repleta de atos bons, de caridade pura, seremos bem-aventurados como no dizer de Paulo em Atos, 20:35 “É mais bem-aventurado dar do que receber” e Francisco de Assis enunciou em seus ensinamentos “é dando que se recebe”. Portanto, o estudante da Doutrina sabe que “fora da caridade não há salvação”.
Ora! Se todos sabem, por que existe tanta parcimônia em ajudar o próximo? De um modo geral as pessoas dizem que o que têm, é fruto de seu árduo trabalho e adquirido com esforço e, quem pede, geralmente passa a vida sem vontade de trabalhar. Está em penúria por imprevidência ou preguiça. Mas não! Há muita gente lutando por ganhar algo com o trabalho e não consegue. E, se está desempregado não tem, às vezes, condições de se apresentar a uma seleção do empregador. Este, raramente escolhe pelo coração, pois quer o funcionário pronto já e agora.
Temos a obrigação de, pelo menos, dar o que nos sobra. Daí existirem os generosos e outros nem tanto. Temos que raciocinar nesses casos da Lei. Se a pessoa está passando por necessidade atualmente, deve ser por que, no passado remoto, esbanjou ou foi sovina. Agora está recebendo o retorno que a Lei determina. Na verdade existem pessoas que por mais que ajudemos esta sempre “na pior”.
É seu Karma. Mas, mesmo para esses nós devemos persistir em ajudar, porque estaremos sendo um cireneu ajudando-o a carregar a cruz. Às vezes ajudamos uma pessoa a vida toda (dela). Morre e, quando aparece em espírito, ficamos admirados e sentimos um bafejo celestial a nos inundar a alma. Felizes por haver gasto um pouquinho de nosso tempo ao atender aquele “impertinente” de todo o sempre. E é mais um amigo que temos na Espiritualidade.
Jesus nos ensinou que devemos fazer, enquanto estamos juntos. Dessa forma teremos, na “erraticidade” amigos de todos os tipos e vibrações. E é assim que Deus está sempre a nos auxiliar. Tenhamos fé nisso e nada de mal nos acontecerá.
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.