Julio Capilé *
O discípulo do Mestre para bem servi-lO e, consequentemente, servir-se a si mesmo, deve esforçar-se por viver os ensinamentos recebidos. De nada adianta um estudante de medicina estudar muito, por mais inteligente que seja, se não praticar atos médicos. É um teórico que poderá apenas ensinar a letra da ciência. Sem a prática em hospitais junto às variadas enfermidades, não será um profissional da medicina. Assim em todas as carreiras escolhidas. Discípulos de Jesus que somos é nossa obrigação praticar as “disciplinas” ensinadas pelo Mestre. Ele não só deu aulas, mas exemplificou com a prática.
Às vezes o aluno se decepciona com o resultado de seu trabalho, fica triste com a ingratidão à sua volta, mas existem glebas difíceis de cultivo e assim também os caracteres à nossa volta, mas o importante é não desanimar. O cristão longe do trabalho em favor dos necessitados é brasa afastada do fogo que com o tempo vai perdendo a luz e calor, portanto, a energia. Ninguém é insubstituível. A vaga na linha de trabalho logo será preenchida, mas quem se afasta do serviço sofre as conseqüências: fica um vazio na consciência, uma constante insatisfação e, com o passar do tempo, perde o contato com os irmãos e pode ser presa fácil de espíritos maldosos,
Apesar dos percalços, das decepções e das ingratidões; apesar de sentir-se explorado por pedintes mentirosos; apesar de incompreensões várias; enfim, apesar dos sacrifícios despendidos com quem não merece, devemos continuar como se nada tivesse acontecido de ruim conosco. A Caridade não pensa mal e é benigna. Nossa evolução é lenta, mas a eternidade transcorre de segundo em segundo; a maior construção é realizada de peça em peça; a estrada mais longa é pavimentada de metro em metro e, nosso trabalho evolutivo também é lento, mas não deve parar. Quem senta desanimado à beira da estrada vê a caravana passar e depois de certo tempo cria inveja dos companheiros que estão lá na frente alegres, saudáveis e felizes por terem deixado desditas para trás.
Na Doutrina encontramos muitos tipos de freqüentadores. Uns que enumeram entusiasmados as benesses recebidas da espiritualidade maior; exaltam os fenômenos vistos e sentidos e acham que isso basta para ser discípulo. São os beneficiários descompromissados. Outros têm facilidade de expressão e a usam ardorosamente em discursos eruditos exaltando os feitos do Divino Mestre, mas não passam disso. São simplesmente pregadores e profissionais do discurso..Mais outros que escrevem bem e enchem páginas de palavras consoladoras citando a grandeza de espíritos elevados com lindos trechos literários. São os intelectuais e escritores. Outros, porém que no dia a dia distribuem o bem por onde passam, exemplificam o otimismo, praticam a comiseração dentro de suas possibilidades e louvam o Senhor com palavras, atos e atitudes. Esses são os verdadeiros discípulos bem aventurados de Jesus. Se persistirmos no trabalho santificante, seremos um desses!
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.