26/10/2011 10h47 - Atualizado em 26/10/2011 10h47

Calma

 

Julio Capilé < julio.capile@apis.com.br >

Neste mundo fervilhante de trabalhos, preocupações, alegrias ruidosas e também de sofrimento, é difícil a pessoa manter sempre a calma. São milhares de provas pelas quais passamos durante o dia. De uma conversa amena, por interpretar ou ouvir mal uma alocução, surge uma discussão e desta a um desentendimento pouco custa e ai fica a mágoa mordendo a alma. E mágoa pode criar raízes profundas difíceis de arrancar.

Por essas insignificâncias que perturbam os entendimentos da humanidade é que devemos cultivar a calma. Quem a tem ouve e analisa posteriormente e varre da memória aquela incompreensão do semelhante. Muitas pessoas carregam a tendência de só ver o lado escuro da vida. De coisas em que se sentiu sofredor no passado, recorda com mágoa e sofrimento. Traz para o presente a dor do passado, quando é uma alegria para quem vê a vida com olhos de bom humor. É mesmo bom recordar e zombar descontraidamente de fatos penosos, que obrigaram a surgir o amadurecimento da alma. Foi uma prova vencida. Quem passa bem por uma prova só pode ficar contente.

Existem muitas situações em que a pessoa precisa de muito esforço para manter a calma. Tenho a impressão que seu cultivo tem a ver com a compreensão do medo. Se a pessoa extirpar primeiro este, terá mais facilidade para adquirir tranqüilidade duradoura. O fato é que o medroso facilmente perde a calma. O medo tem o condão de nunca deixar a pessoa descontraída. Está sempre a antever males que estão somente em sua imaginação. A vida assim é um tormento e torna a pessoa amargurada. Tudo é motivo para criar problemas. Ao conversar com uma pessoa desse padrão de sensibilidade, devemos ter muito cuidado para não ferí-la.

Deus nos ensina a esperar tranquilamente a resolução dos problemas. Matematicamente as estações sucedem-se, as flores anteveem a vinda de frutos e generosamente aparecem em profusão para que não haja falha: dezenas em um cacho para aproveitar pelo menos uma fruta.

Quem cultiva a calma acaba por adquirir outros benefícios como paciência, compreensão e tolerância. Aprende a usar inteligentemente o silêncio. Este tem muito valor para as relações humanas quando usado em momentos próprios e, por vezes, é mais útil do que alguns discursos. Com calma podemos resolver muitos problemas que aparecem como insolúveis; esperando com paciência resolvemos a maioria das dificuldades encontradas no caminho; com calma os grandes inventores chegaram ao que se propuseram; e é com calma que ganharemos as virtudes que nos levarão a boa colocação no plano espiritual, principal razão das reencarnações.

Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso. *


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