E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte”. (Mateus, 5:1)
Por Julio Capilé
A multidão geralmente é constituída de pessoas simples e, na maioria ansiosa por felicidade. Quando ouve um discurso, procura entendê-lo para que os conselhos ouvidos sejam assimilados e aproveitados em ocasiões oportunas.
Jesus, no relato de Mateus, viu a multidão e subiu a um monte. Subiu para ser visto por todos. E como sempre, expressava-SE de um modo simples, a fim de ser entendido. Descia ao nível do entendimento de todos. Sim, de todos, pois que os letrados e os sábios também entendem as expressões simples e gostam. Comumente têm palavreado empolado para mostrar elevação de conhecimento e por vaidade.
Muitos sobem ao monte da autoridade para humilhar os simples. Outros sobem na fortuna para exaltar o “eu” e jactar-se ante a sociedade. Políticos munidos da astúcia exploram as paixões populares em benefício próprio. Tiranos apresentam-se como condutores do povo e atiram-no na própria destruição, incitando-o às revoluções e às guerras. Jurídicos mal preparados eticamente em suas funções confundem a mente dos simples.
O operário da palavra cristã, porém, deve seguir o ensinamento do Cristo: expressar-se com simplicidade para ser “ouvido”. A multidão fica extasiada ante um bom orador a transmitir conhecimentos. A grandeza de quem “sobe o monte” do conhecimento bem sedimentado está no fazer-se entender. Deve ter a autoridade do saber e dos exemplos, com a simplicidade de um menino, conforme o conselho do Mestre.
O monte que devemos subir é o da grandeza moral, sem a qual não temos autoridade para transmitir a palavra de Jesus e dos Espíritos do Bem. Temos que viver preparados para em qualquer ocasião e local podermos auxiliar a quem está passando pelas agruras do sofrimento. Para tanto devemos ter como que uma idéia fixa de não nos deixarmos distrair com os alegres acenos mundanos. Estamos no mundo, mas devemos procurar viver no “céu”.
Agindo assim ganhamos, por vezes, a pecha de fanáticos, mas que nosso “fanatismo” seja o mesmo de Paulo de Tarso, que foi apóstolo mesmo sem conviver com Jesus, dando exemplo ao misturar-se com os de outras raças que, para os hebreus eram “gentinha desprezível” por não terem o conhecimento do Tora e do modismo das carnes impuras e dos sábados. Ele deu-nos o exemplo seguindo Jesus no “o homem é superior ao sábado” e “o que entra pela boca não contamina a alma, mas o que saí da boca”: as blasfêmias e as intemperanças verbais.
Subir ao monte da dignidade e da caridade é a meta do cristão. Cuidemos disto!
Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.