28/09/2011 14h14 - Atualizado em 28/09/2011 07h14

A Candeia

 

Julio Capilé

Jesus reunia seus discípulos para dar-lhes aulas sobre a vida. Sempre o fazia por meio de parábolas ou de objetos conhecidos por todos. Nem poderia ser de outra forma, pois que é de se supor que todos eram analfabetos. É bom lembrarmos que os ensinamentos nas sinagogas – as igrejas da época – eram sempre sobre a Lei e os profetas e todas as lições eram ditadas e repeti-das por todos até a exaustão. Se não decorasse, era castigado até memorizar tudo.

Todos sabiam e tinham o Corão na memória. Quando ele falou sobre a candeia que não poderia ser escondida debaixo do alqueire, isto é, com o vasilhame emborcado sobre ela, foi para ensinar que o saber deve ser difundido e ensinado. Os que mais sabem têm por obrigação ensinar aos que menos conhecem. E o que era a candeia? Um lampeãozinho a querosene do tipo que em nosso Nord-este são chamados de “fifó”. Só que a candeia era a óleo de peixe.

Comparando a luz ao conhecimento, Jesus deu uma lição para que não desperdicemos o que sabemos, não guardemos conosco egoisticamente. Ele quer que iluminemos a vida para que os outros vejam. Mas não está só nisso o que Ele transmitiu aos discípulos. A candeia como qual-quer luz requer combustível para funcionar e combustível é energia a ser renovada periodica-mente. É gasta.

Essa parábola nos lembra que devemos estar sempre gastando energia no esclarecimento dos que estão à nossa volta. Requer boa vontade permanente. O seguidor dos ensinamentos do Cristo deve estar sempre a postos para usar suas energias em favor dos necessitados, com escla-recimentos para tirá-lo da situação em que se encontra. Se o auxiliarmos com o que necessita no momento sem esclarecê-lo como sair da situação em que se encontra, é como a fábula do dar o peixe e não ensinar a pescar: a fome estará presente no dia seguinte e é sempre mais e mais es-molas a requerer. Jesus nos disse: “vós sois a luz do mundo”.

Somos a candeia da parábola. Portanto devemos usar energia atuante todo tempo, sem esmorecer. O trabalhador na Seara do Mestre nunca poderá aposentar. Não deve usar o termo como alguns fazem e agem: ”o meu tempo já passou”. O tempo do Chico, de Irmã Dulce, de Tereza de Calcutá, do Dr. Schwartz, de Ghandi e de tantos outros que tais, nunca passou. Trabalharam em sua missão até o ultimo hausto.

O trabalhador que abandona o instrumento de trabalho deixa-o enferrujar e a nossa ferra-menta é a palavra, a inspiração, o passe, a compreensão e o exemplo. Não podemos aposentar isso e ficar preguiçosamente em casa sem difundir o que temos a doar. Há sempre um mais ne-cessitado a esperar-nos. E Jesus recomendou: ”tudo o que fizerdes a esses pequeninos, é a Mim que o fazeis”. Lembremos disso e mesmo que algum achaque nos visite o corpo, procuremos não faltar a compromissos na seara do Senhor mesmo que isso requeira um sacrifício Nós temos exemplos de verdadeiros vanguardeiros do Espiritismo nesse sentido. Não custa nada tentar.

Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.


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