José Alberto Vasconcellos *
Tudo começou quando o proprietário de um imóvel urbano, autorizado pela “autoridade”, começou a derrubar uma árvore que se encontra na Av. Deputado Federal, Doutor Weimar Gonçalves Torres (os que mais brigam pela árvore, nem sabem o nome completo da avenida onde ela se encontra).
A árvore nunca foi centenária, ela chegou a Dourados pelas mãos de algum curioso e desavisado, na década de sessenta. A Telems lutou um ano inteiro para acabar com uma, na esquina da Hilda Bergo Duarte com a Av. Weimar Torres, há pouca distância onde se encontra a atual, que vem suscitando pareceres de sumidades em botânica e história. Outra dessas árvores, na rua Cuiabá, também consumiu um ano do proprietário, para corrigir a besteira que fez em plantá-la.
Poderá ganhar uma dúzia de pirulitos ou um pacote de paçoca, quem indicar, a existência de apenas um exemplar dessa árvore, em quaisquer das florestas nativas do Brasil.
A paixão que esses estudantes vem demonstrando por essa árvore, se transformada em vontade para estudar e aprender, certamente o futuro do nosso Brasil será melhor e patriotismo uma virtude!
Nos idos de 1965, uma vizinha arrumou uma muda dessa tal “figueira” e plantou na frente da sua casa. Foi a primeira vez que vi essa árvore! Mas o que marcou, é que pouco tempo depois de plantada, alguém furtou um galho para muda. A vizinha quase enlouqueceu: “—Onde já se viu furtarem um galho da minha árvore!”
Passado mais um tempo, a tal “minha árvore” mostrou seu desejo de engolir a modesta casa de madeira da vizinha que, sem titubear, tomou providências para acabar com ela, antes que ela, a árvore, acabasse com ela, a vizinha. Naquela época tomei boa nota do acontecido e ciente de que a árvore era uma bomba!
Não conhece história e tampouco botânica, quem diz que a “figueira” em questão é centenária. Há cem anos, em 1911, aqui havia poucas pessoas que chegaram em 1909, cinqüenta no máximo, dentre eles Januário Pereira Araújo e Joaquim Teixeira Alves. A rua dos Gaúchos, depois Av. Weimar Torres, onde está a “figueira” só depois de 1935.
Pesquisa no Google, nos informa o acervo das figueiras que possuímos na zona urbana de Dourados, confira: na rua Wlademiro Muller do Amaral, Vila Amaral, frente ao n. 274 (01 figueira); Av. Presidente Vargas, entre Marcelino Pires e Onofre Pereira de Matos, centro(17 figueiras); rua João Cândido da Câmara, entre as ruas João Vicente Ferreira e Oliveira Marques (12 figueiras); rua João Rosa Góes, entre Joaquim Teixeira Alves e Cuiabá (09 figueiras); e av. Aniz Rasselen e BR 463 (01 figueira). A “centenária”, pelo fato de não ser figueira, não consta do acervo!
Esquisita a repentina paixão dos estudantes, que deveriam estar nas salas de aula, pela árvore. Mais estranhável ainda é que o Ministério Público tenha abraçado essa causa “fajuta”, o que poderá render-lhe um inolvidável mico.
Interessante observar que os estudantes não têm nenhuma paixão pelas causas democráticas, movimentam-se na defesa de árvores que não conhecem, comandados pela militância desocupada. Contra isto ou aquilo, sempre temas de pequena importância, apenas para tumultuar.
Contra o deslavado furto dos impostos que pagamos, inclusive para sustentar-lhes os estudos, diga-se mal aproveitado, nas escolas públicas, nada!
Contra essa suja, equivocada e ineficiente política que está liquidando etnias inteiras dos índios pela degeneração dos costumes e pela violência, nada!
Contra o recrudescimento dos homicídios, dos furtos e dos assaltos, nada!
Contra a política educacional que está sepultando gerações e gerações de brasileiros sob o manto da ignorância e da miséria, nada!
Melhor seria que estudassem botânica para melhor conhecerem as árvores; e a história da nossa cidade desde 1911, antes de atestarem que a tal”figueira” tem 100 anos!
Não cometeriam assim, o vexame de defender a tal “figueira”, que não é figueira e tampouco criatura da nossa flora; e muito menos atestar que a alienígena tem cem anos.
Confundir Mato Grosso com Mato Grosso do Sul, ainda é aceitável, mas essa árvore como figueira centenária, é brabo sô!
Membro da Academia Douradense de Letras.