20/01/2012 18h10 - Atualizado em 20/01/2012 18h10

O eco do comando, quando se escuta

 

José Alberto Vasconcellos. *

Alguém perguntou ao Chanceler (1949/1963) da Alemanha ocidental, KONRAD ADENAUER (1876-1967): “ — Como a Alemanha conseguiu recuperar-se, tão rapidamente, depois que saiu da II Grande Guerra, totalmente destruída?”

O festejado e competente político alemão, respondeu: “— Na Alemanha tínhamos gente que sabia mandar e gente que sabia obedecer!”

ADENAUER promoveu a recuperação econômica da Alemanha – pode-se dizer – antes mesmo que alguns dos países que participaram da conflagração, se dessem conta de que a guerra tinha acabado. Iludidos pela megalomania incompetente, esses paises atrasados mantém-se ciscando no escuro até hoje, embora o conflito tenha findado há mais de meio século.

Em cada um dos capítulos da história universal, temos exemplos de competência e desassombro de homens, no exercício da sua vocação.

Ainda no calor da guerra, destacaram-se os generais Erwin Rommel (alemão) e Bernard Law Montgomery (inglês), nas areias escaldantes do deserto da Líbia, Egito e Tunísia (1941/1943). Paul Karrel, oficial do Estado Maior do exército alemão, no seu livro “Afrikakorps”, descreve cada etapa do que foi, a primeira grande batalha sobre as lagartas dos tanques.

Com esse livro que li há mais de quarenta anos, pude entender porque Rommel era chamado de “Raposa do Deserto”; e inteirar-me da perseverança, astúcia e coragem de Montgomery, que recebeu o título de “Montgomery of Alamein”, pela vitória (23-10-42), na Líbia, sobre as forças de Rommel. O general alemão, em 20-07-1944, já marechal, foi preso e forçado a suicidar-se, por participar de uma sublevação contra o Führer.

Vistos exemplos de competência política e militar, podemos dizer que na música erudita, Arturo Toscanini (1867-1957) foi um virtuose como maestro, sem concorrentes que pudessem fazer-lhe sombra. As peças que regia com impecável precisão, ele as conhecia de memória.

Aqui no Brasil tivemos: o jesuíta José de Anchieta, “O Apóstolo do Brasil”, fundador da cidade de São Paulo; José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, na luta pela independência; D.Pedro II, Imperador do Brasil, que manteve a integridade do nosso território; Rui Barbosa, a Águia de Haia. Oswaldo Cruz, com suas campanhas em defesa da saúde pública. Muitos outros enfeitam e enriquecem nossa resenha histórica.

Políticos de verdade, tivemos alguns. Uns puxando para um lado e outros esticando para o outro. Quase todos artistas! Tivemos um deles, imbatível a partir de 2003. Ele reescreveu nossa história, sem sofismas ou reservas. Por mais de uma vez, em alto e bom som, conclamou aos céus para que todos ouvissem e registrassem: “NUNCA ANTES NESTE PAIS!” Ele é o pai das “três refeições”, avô do “não sei de nada!” e patrono das “maracutaias”.

Como disse Bóris Casoy: “— O Brasil precisa ser passado a limpo!” Luis fez isso. Apagou nosso passado e começou a gritar: “NUNCA ANTES NESTE PAIS!” anunciando para si e para o mundo, que a história do Brasil começava no marco que ele fincou. O início de um nova era, de uma nova República! A Nação hipnotizada apenas balbuciou: — Amém!

Mas convenhamos, se nessa nova República lero-lero servisse de alicerce e saliva de cola, os ministros da Dilma, “peixes de Luis”, não teriam caídos das gavetas do Erário, onde se encontravam confortáveis – contrariando sua vontade. Aborrecido e revoltado, amaldiçoou a imprensa que, junto com a polícia, vem atrapalhando a execução dos “serviços públicos essências”, que marcam o ritmo da nova República.

Contrariando o que disse KONRAD ADENAUER com relação à Alemanha do pós guerra, aqui no Brasil não temos quem saiba mandar e muito menos quem queira obedecer. Assim, de um modo tradicional só nosso, vamos tocando o bonde, deixando as finanças do país fazer água!

A propósito, a Alemanha de Adenauer, berço dos saxões, é hoje uma ilha com água pelo pescoço. Os helenos: gregos; e depois os latinos: espanhóis, franceses, portugueses e italianos, deixaram entrar água! Muita água! Com tanta água, a comunidade européia pode submergir, levando consigo também a diligente Alemanha.

Caso alguém não se apresente com autoridade bastante, para mandar; e surjam pessoas dispostas a obedecer, o colapso é inevitável.
No Brasil é diferente: aqui ninguém manda!; ninguém ouve!; ninguém obedece!; mas um princípio é, religiosamente, observado: “Aqui se rouba, mas faz!”

Você acredita nisso?

Membro da Academia Douradense de Letras.


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