José Alberto Vasconcellos *
A revista Veja, ed. 02.03.11, págs. 60/62, traz reportagem que mostra a boca do túnel, por onde entram e escorrem, livremente, as “impurezas” que infectam nosso sistema democrático, no seio da República Federativa do Brasil.
Informa a revista enfocada, que à entrada do Palácio do Planalto, havia um AVISO contendo fotos de um amigo do Presidente Lula, onde se lia:
“ATENDIMENTO ESPECÍFICO. O Sr JOSE CARLOS de tal (eliminamos parte do nome), deverá ter prioridade no atendimento na Portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em qualquer tempo e qualquer circunstância.”
Continua a revista:
“Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial.”
Tudo começou quando Lula, o CARA, conforme definiu Obama, “passou quatro dias na fazenda e gravou ali, nas proximidades de Campo Grande (MS), os programas sobre agronegócios que foram usados na campanha presidencial de 2002. Ali jogaram conversa fora, assaram churrascos, pescaram e se tornaram amigos de infância.” (Google).
“A fama de“amigo do presidente” se espalhou de tal maneira que o JOSÉ CARLOS, engenheiro, natural de Corumbá, transformou em escritório um quarto de hotel a 2 quilômetros do Palácio do Planalto.”(Veja).
A reportagem desfia todas as negociatas perpetradas pelo “amigo do presidente”, – QUE O COGNOMINOU DE “O BARBA” – envolvendo bilhões e bilhões de reais. Sua influência caminhava livre pelos ministérios e estatais de economia mista (Petrobrás), com efeito contrário aos interesses de contribuintes, acionistas e da própria República.
A amizade, o congraçamento entre ambos, fez com que o “cara” aprendesse a comer buchada de bode, e o amigo “BARBA” a bombear tereré e apreciar “sarravolho”. Coisa mais linda!
Este é mais um, dos muitos casos que a imprensa nos contou. Neste chega-se a emoção, quando se atenta para o AVISO afixado na Portaria do Palácio do Planalto, recomendando: “ATENDIMENTO ESPECÍFICO e prioridade em qualquer tempo e qualquer circunstância.” É o carinho, o desprendimento da autoridade, em atenção ao amigo. Tão bonito, né?
Só mesmo o “cara” do CARA poderia gozar de tal privilégio: entrar no Palácio onde está o gabinete do CARA, a qualquer hora.
Identificado como o “cara”, gozava de acesso irrestrito, sob o argumento, de que era para matar a saudade, conversar amenidades, ou atender ao convite do amigo Presidente, para comer em sua companhia uma “jacuba” feita com bode e rapadura, pilados com farinha de macaxera.
Dessa proximidade o “cara”(que sempre foi esperto), qualificou-se como lobista, para ajudar “empresários necessitados”, em negócios que demandavam bilhões de reais do Tesouro e uma mãozinha do BARBA.Tudo debaixo das barbas brancas da República.
Agora fora do Palácio, aquele que foi o CARA – o idolatrado BARBA –, beneficia-se do reconhecimento do “cara” de Corumbá, com o transporte por jatinhos para a família inteira; empréstimo de apartamento na Barra da Tijuca e...
Antes, o ZÉ CARLOS era o “cara” do CARA; agora inverteu-se a posição: “cara” é que é o “CARA”. Nesta condição dá apoio logístico ao “cara”, que já foi o “CARA”! Assimilou?
Não se sabe se continuam conversando amenidades em outro local, porque a Presidente Dilma mandou tirar e jogar fora, o AVISO instalado na Portaria do Palácio! Sobre as noitadas de buchadas e jacubas no Palácio, Dilma exclamou: “— Credo!”
O certo é que “muitos assuntos” ficaram aplanados e – embora vencido o tempo do BARBA e removido o AVISO do passe livre para o “cara” – acertos acertados continuam engatilhados, com espoletas prontas para detonar a “taxa de sucesso” ou mesmo – e por que, não? – participações. Negócios vantajosos livres da ingerência da esquálida República Federativa.
Gostaria de ser, por algum tempo, o “CARA” do “cara”. Viver como um CARA, – rei disso, rei daquilo – para sentir o conforto de estar na gordura, comendo caviar de esturjão do mar Cáspio e dando sopapos numa “botija” de Scotch, no mínimo contemporâneo de Matusalém.
Valeu trocar o sarravolho pela buchada!
A propósito, você sabe o que é caviar?
Não sabe? É bom! Melhor, só a mãozinha amiga do BARBA!”
Bacharel em ciências jurídicas e sociais.