José Alberto Vasconcellos *
Não permita, meu Deus, que eu morra sem que volte para minha Pátria! Esta, a súplica do pracinha brasileiro engajado FEB (Força Expedicionária Brasileira), na II Guerra, no fundo de uma trincheira, envolto pelo cheiro do diesel e nauseado pelo odor dos cadáveres dos companheiros tombados.
Queimando-se no fragor da batalha, – como brasileiro e como soldado – estava convicto do seu dever patriótico. Defendia a ordem universal, da qual não podia prescindir sua Pátria.
Como soldado, entendia ser importante seu concurso naquele teatro medonho e repugnante. A superação do desafio como patriota e a preservação das liberdades democráticas motivavam sua coragem e sua fé.
Estabelecidos os quinhões territoriais entre a Espanha e Portugal, no Novo Mundo, demarcadas as fronteiras, o Brasil emergiu como um país continental. Majestoso e forte, berço de um punhado de bravos, conservadores e cônscios da responsabilidade que teriam em mantê-lo íntegro na sua extensão geográfica; e o povo unido, como Nação.
A consciência nacional forjou o dogma: democracia, liberdade e oportunidade para o progresso de todos, sem discriminação.
Para que o desejo transformasse em realidade, o tempo cobrou sabedoria, trabalho, bravura, suor e sangue. As batalhas com os aborígines e muitas outras mais sangrentas aconteceram: o enfrentamento dos invasores franceses e holandeses. Por último os paraguaios, que se propunham realizar o plágio que Francisco Solano Lopes pretendia, espelhado-se na megalomania de Napoleão: a expansão continental!
A todas essas guerras, batalhas e combates, vencemos com bravura e humildade! Nós recebemos este grande País – inteiro como na origem e democrático como sempre se desejou! O Brasil foi edificado com perseverança e determinação, e a saga, adimplida com o sangue dos nossos compatriotas.
Preservado na sua grandeza e nos seus princípios democráticos, desenvolveu-se com o trabalho do seu povo ordeiro. Hoje tem presença significativa no concerto das Nações, como potência agroindustrial, tecnológica e tradição política.
Em muitas regiões do Planeta, nações digladiam-se indefinidamente, por pequenas frações de terras áridas e inóspitas, sem encontrar um denominador comum, que torne possível a convivência pacífica. Nós habitamos um grande País, com terras férteis e muita água. Aqui o congraçamento entre as raças é uma realidade e o respeito aos costumes tradição.
Todos são livres para ir e vir; a miscigenação uma realidade; a liberdade religiosa e de expressão, são dogmas. O Mundo reconhece o Brasil como uma República democrática, e a Nação brasileira, como um povo pacífico, laborioso e criativo.
Ciente de que lutava por uma causa justa, em defesa de nações oprimidas pela bestialidade da megalomania, o pracinha rogou a Deus que não permitisse sua morte, antes que voltasse para sua Pátria. Deus sabia, que a Pátria daquele soldado enterrado na lama, era o Brasil.
Por fazer parte de um povo bom, Deus concedeu-lhe a graça!
Então o pracinha emendou: “Sem que eu leve por divisa, este “V” que simboliza, a vitória que virá!”
O exemplo que nos deu o pracinha da FEB, serviu para mostrar aos brasileiros, que ele era, na convicta pureza do seu gesto, um patriota!
Canadenses e americanos hasteiam suas bandeiras todos os dias, em todos lugares, lembrando que o patriotismo é o sangue que irriga as veias da Nação para, com motivação e força, manter íntegro e de pé, o País que lhes serve de berço.
Eles acreditam na hierarquia: Deus, Pátria e Família e que suas bandeiras falam a linguagem da terra onde nasceram. Diferentemente, é aqui no nosso Brasil: sem bandeiras e sem culto ao patriotismo, vamos, a cada dia, esquecendo que nossa Pátria é o único lugar no mundo, onde estamos, realmente, em nossa casa!
Inaugurações são realizadas. Negócios fechados. Oradores, com as veias do pescoço infladas, sucedem-se, defendendo o lucro que a liberdade democrática lhes concede; mas não hasteiam no local a bandeira que representa sua Pátria, mãe do seu sucesso. O lucro, apátrida e ingrato, marginalizou a bandeira!
“ —Não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá; sem que eu leve por divisa, este “V” que simboliza, a vitória que virá!” (canção do Expedicionário: letra Guilherme de Almeida; música Spartaco Rossi).).
Que Deus cubra de glórias, a coragem daqueles que constróem um país!
Membro da Academia Douradense de Letras.