03/02/2012 18h12 - Atualizado em 03/02/2012 18h12

CORPORATIVISMO E “BULLY”.

 

José Alberto Vasconcellos *

O Dep. federal Fábio Trad (Progresso, ed. 18.01.12), com relação aos seus pares na Câmara dos Deputados, apresentou um diagnóstico sucinto e aterrador, verbis: “Em regra, deputar deixou de ser missão; agora é prática operativa de interesses e segmentos e facções. Não mais advogada da Nação, mas despachante subalterna de poderosas forças econômicas que prostituem o mandato e corrompem a política. Não retrata a Nação. Não traduz a vontade geral. Não resgata o sentimento coletivo do povo. Deixou de ser uma referência e passou a rascunhar um medíocre roteiro de fingimentos e hipocrisias. Às vezes, para camuflar, investe no poder midiático (mídia?) das CPI’s, mas não consegue sair do atoleiro imposto pela distorção do sistema.”

O agoniado grito popular, não produz eco no Congresso (Câmara e Senado); todos sabemos, que Deputados e Senadores, como aves de rapina, movimentam-se apenas para abocanhar boa parte dos impostos escorchantes pagos por quem realmente trabalha e produz. Não explicam o patrimônio acumulado durante o mandato. Muitos mantém na folha de pagamento da instituição suas mariposas; indispensáveis, entendem, para que sobreviva a ilusão de que ainda são jovens. Como o aguapé em lagoa: floresce por cima, mas é podre embaixo.

Não devemos, contudo, subestimar o desempenho dos congressistas – deputados e senadores. Eles são viciados no trabalho – “trabalham” três dias por semana – gozam seis meses de férias com os recessos, feriados, pontes, dias santos e faltas; e ainda dispõem de verba para cobertura das “despesas pessoais”, sem restrição ou controle.

Recebem, ainda, imóvel residencial e verba para comprar roupas. Sim, roupas! Porque senão vão aparecer para o “trabalho” pelados, como protesto – mesmo que o povo abomine o sacrifício!

—Estamos perdidos? É o confronto do sim com o não? Céus!

—Não, meu rapaz, tudo ainda não está perdido! Apenas, quase tudo! O restinho nós vamos perder se você continuar alheio à política, votando em calhordas aos quais você nunca pede a ficha corrida, para saber quantos processos arquivados eles têm.

Observe, que político não tem condenação, apenas processos arquivados, que registram quanto ele furtou da educação e da merenda das crianças; dos remédios dos velhinhos. Até na compra de AMBULÃNCIAS eles “interferem”. Refratários e imunes à justiça, eles apenas acumulam processos arquivados e fedem!

Não é justo generalizar, afiançando que – “todos os políticos são ladrões” – há parlamentares honestos e interessados em cumprir, religiosamente, sua função pública. Mas como? Estão sitiados, ameaçados e acintosamente discriminados! Não temos dispensado atenção a esse “bully”, do qual são vítimas. Em número reduzido, desassistidos do apoio popular, pouco ou nada podem fazer. Falta força para mudar!

Como está, é dar aqui e receber ali. Não dando aqui, fica sem receber ali. Esse o combustível que movimenta nossos órgãos colegiados. Assimilou?

Nas Casas do Congresso, a troca de favores produz a maioria dos parlamentares que votam, que decidem. Essa maioria produz o rombo, e o funcionamento é singelo: deixo você meter as mãos aqui, se você fingir de morto quando eu enfiar as minhas lá. É uma irmandade, que definem como corporativismo.

Então, havendo – como de fato há – essa harmonia entre quase todos congressistas, não vão ser aqueles poucos parlamentares – honestos e discriminados – que terão força para emperrar o funcionamento do tradicional, fraterno, harmônico e bem sucedido congraçamento, que como entidade esotérica, com eficiência e sigilo, garante o pão, o pente, o terno, o papel higiênico, a mariposa, a fazenda, a mansão, a pasta dental e todas outras benesses que um sujeito pode almejar. Tudo propiciado por seu voto!

Mantido esse sistema denunciado pelo Deputado Trad, e com a força do seu voto – alheio e irresponsável – tenha certeza: nossa República vai continuar tendo o Congresso que você escolheu.

Aos parlamentares honestos que sobrevivem no zôo da República, impõe---se que lhes peçamos escusas, pela covardia das instituições que têm o dever de assisti-los, mas não os têm livrado do “bully” que enfrentam no dia-a-dia, para o exercício livre e democrático da sua função.

Alas frescas, tchê! Assim a vaca morre no barro!

Membro da Academia Douradense de Letras.

 
 
 
 
 
 
Imóveis Apartamentos Veículos e Utilitários Importados Motos Diversos Telefones Empregos e Oportunidades