Isaac Duarte de Barros Junior
No curso de jornalismo, existe um doutrinamento chamado planejamento das comunicações, que recomenda aos profissionais da imprensa impressa, não identificarem-se exageradamente, caso assinem artigos. E do mesmo modo, também me posiciono concordando com os aclares mestres. Pois, o interesse dos leitores, se resume em apreciar os temas abordados no texto. Enfim, opinar sobre acontecimentos, não significa transcrever trabalhos escolares, comentando-os pedagogicamente. Portanto, quem não possui capacidade de articular jornalisticamente assunto do interesse coletivo, no mínimo deve permanecer distante das redações de mídia. Confesso que eu minuto de teimoso. Pois, conheci meus limites redacionais, quando escrevia profissionalmente para a imprensa radiofônica e televisionada em Minas Gerais.
Naquela época, jornalistas das caras feias observando âncoras da cara bonita, se ocultavam nas coxias, dirigindo esses repórteres no vídeo. Já no auge do rádio AM de interior, possibilidades de contratar locutores “grasnadores”, nem pensar. Mesmo estes, pedindo insistentemente. Inclusive, candidatos sem capacidade, raramente conseguiam fazer testes de dicção com microfones das emissoras no ar. Porém, essas pessoas fazendo-os, terminando reprovadas, gentilmente eram aconselhadas a desistirem da pretensão. Quanto à imprensa impressa dessa época, só escreviam para jornais, aqueles que tivessem escolaridade. Vendo isso acontecer, rotulei o jornalismo daquele antanho, como profissão arte.
Entretanto, transcorrendo os anos, o jornalismo tradicional mudou bastante, com ele nosso estilo musical. Melodias brasileiras, por exemplo, passaram a ecoar ritmicamente batucadas selvagens, onde qualquer triturador de palavras tolas, gravando canções faz sucesso. Para piorar as comunicações, novelas trazem imagens televisivas, eivadas de roteiros imbecis, recheados pelos cansativos dramalhões insossos. Assim, mais preocupados em mostrar cenas de sexo, produtores esticam capítulos melosos, enchendo as tripas dos horários nobres. Enquanto isso ocorre, programações de outras emissoras transformam-se absurdamente em vulgares palanques eletrônicos, proporcionando que humoristas semi-alfabetizados, sendo oportunistas, ingressem na carreira política.
Porque no Brasil, ganha eleições quem gasta muito dinheiro ou usa da fama conseguida nesse trabalho. E no caso desse oportunismo dar certo, qualquer palhaço vai para o Congresso Nacional, eleito com milhares de votos. Lá, como parlamentar legislador, apresenta inócuos projetos de leis federais. Também, desavergonhadas, algumas emissoras estatais educativas, estão se convertendo em feudos políticos temporários dos governadores de plantão, assessorados pelos seus correligionários pagos. Entretanto, mesmo apontando essas falhas grosseiras e flagrantes nos meios de comunicações, muitas nascidas no século vinte, lembro-me saudosista de quando não existia o vídeo tape e bobagens engrossavam apenas o anedotário radiofônico brasileiro.
Nessa fase, aos artifícios de escrita e produção do material jornalístico, chamávamos de reportagens, editando-as artesanalmente. Desse modo, naquele tempo não bastava ter diplomas e sim possuir capacidade. Nesta forma acontecendo, esse gancho me faz recordar o provérbio latino: barba non facit philosophum (a barba não faz um filósofo). Mas, até entre filósofos da malandragem que envergonhavam os repórteres dessa época, havia honestos comunicólogos, convivendo com jornalistas chantagistas, vigaristas, estelionatários e outros jabazeiros.
Dessa maneira, com regulamentos e costumes, sindicatos da classe fiscalizavam nossos repórteres, exigindo ética daqueles profissionais das comunicações. Principalmente na feitura das reportagens, quando distorcidamente alguém as escrevia, fossem eles quem fossem. Saudoso, mas bem humorado, recordo da máquina remington elétrica, que como novidade, aterrorizava aspirantes ao cargo de redator. Porque, era editando o material reportado na rua, que enxugávamos aqueles textos, colocados as nossas disposições. Nesse tempo, dirigindo um desses departamentos, cauteloso eu disse para um repórter baixinho: “guarde direitinho seu diploma de datilografia na gaveta e trate de redigir textos rapidamente, sem cometer erros datilográficos”. Esse moço chamava-se Fernando Vanucci e foi meu colega de turma no curso de direito na FIUBE, juntamente com outros estudantes, da turma de formandos daquele ano de 1975...
advogado criminalista, jornalista.