02/09/2011 16h56 - Atualizado em 02/09/2011 10h56

Sabes com quem falas?

 

Isaac de Barros Junior

Devido o acelerado crescimento das cidades no interior, dependendo do tamanho das urbes, atualmente inexistem possibilidades dos seus habitantes saberem no contexto dessas sociedades em formação, quem é quem. Dessa forma, com exceção das pessoas cognominadas destaque público tornou-se difícil identifica-las, só mencionando suas ocupações, como algumas pensam devem ser reconhecidas, ao dizerem seus nomes e apelidos. Ademais, estas comumente se irritam, vendo emergir nomes tradicionais, quer pela posição empresarial conseguida através de méritos profissionais ou por notáveis dotes culturais.

Soberbas, envoltas nas suas arrogâncias e possuindo minguados limites, muitas delas sendo flagradas cometendo deslizes em idade adulta, encarnam costumes de posar como ilustres personalidades intocáveis. Pasmem, querem em circunstancias infelizes, ser chamadas de doutoras, sem ter feito doutorado. Petulantes, supõem compelir as autoridades, a temerem suas “carteiradas”. Isto, quando mostram documentos profissionais, no alcance das mãos. Aliás, muitas vezes a rompante de alguns transgressores de leis, principalmente das penais, chegam a causar náuseas nos criminalistas, quando aceitam defendê-los.

Afinal, cometendo uma lista de crimes inomináveis, esses estreantes nos ilícitos penais, ao serem presos, estupidamente invocam os benefícios atenuantes da primariedade, inobstante tendo praticado crimes hediondos. E o maior agravante acontece, justamente quando marginais detidos, supostos sabichões, ameaçam aos advogados, caso seus nomes venham a aparecer na mídia. Geralmente, “determinam” tal condição inarredável, com argumentos ou conjecturas imodestas, dizendo que sendo as notícias estampadas na imprensa, “implicaria na cidade pensar mal deles”. E fazem-no, como se estivessem acima da lei.

Presunçosos, falta-lhes modéstia, da mesma forma que careceram da honestidade nos antes do iter criminis, motivadores de suas detenções. Ademais, não sendo conhecidos até tornarem-se criminosos, os esdrúxulos nunca afastam pensamentos rompantes equivocados, como a insensatez de preocuparem, sobre o que uma “cidade poderia pensar” a respeito deles. Porque, se fossem criminosos mais modestos, mostrando humilde, demostrariam gestos de arrependimento, diante do mau passo dado. E dessa forma, externariam mudanças sinceras.

Tal avaliativo criminal, também serve para advertir aos rábulas palpiteiros de plantão e lucubrasses de parcos conhecimentos jurídicos, sobre suas atitudes impertinentes. Porque no tratamento processual criminal, a igualdade para todos diante da lei, se aplica conforme restarem provados os delitos e as suas autorias. Lembro-os, inclusive, que o exercício irregular da profissão, é crime. E alguém trabalhar como advogado, médico, engenheiro, dentista ou noutros tipos de profissões liberais, sem estar devidamente habilitado, dá cadeia. Assim, o resultado dessas cretinices, quando praticadas por bacharéis em direito, reprovados na OAB, levando-as ao conhecimento da polícia, termina causando problemas para os infratores.

Afinal, seria interessante, que os estabelecidos como profissionais liberais regulamentados, demonstrassem ter capacidade apropriada. Dessa forma, saberiam de estando na função um guarda de trânsito urbano, autuando-os, não necessitar saber os nomes importantes das suas famílias. E sim, se como motoristas habilitados, praticaram infrações. Quanto aos sete jurados forenses, componentes do conselho popular de sentenças, sorteados, devem é julgar delitos cometidos pelos acusados. E jamais, decidirem escorados em antipatias ou simpatias, da condição econômica do infeliz sentado no banco dos réus.

Somente dessa maneira, aplicar-se-á a justiça sedenta de decisões isentas. Pois, a sociedade espera sinceridade desse tribunal do povo, fulcrada no juramento em plenário, de somente analisar-se provas. Assim, a moralidade personificada na anatomia feminina, continuará a existir na formosura de Themis, deusa cega. Mulher lenda, que na fábula grega, vê além dos horizontes, crimes perpetrados pela humanidade. Onde ela carregando a balança dos justos, deve continuar brandindo a espada da honra. Supostamente, assegurando o amanhã descente dos homens. Acontecendo dessa forma, um inocente sempre será inocente e os sábios jamais serão substituídos por tipos calhordas...

advogado criminalista, jornalista.

 
 
 
 
 
 
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