Isaac Duarte de Barros Júnior
Sempre foi com muitas reservas e enorme ceticismo, que acompanho pela mídia, as chamadas projeções de tendências, supostamente pesquisadas, ouvindo-se à população. Entretanto, embora delas eu duvide, esporadicamente me inteiro de algumas realizadas no estado sul-matogrossense. Como não consigo acreditar em pesquisas, principalmente naquelas encomendadas por políticos, dou risadas ao conhecer os seus resultados apurados. Todavia, percebo que a proposição desses pesquisadores, é passar ao conhecimento do público, intenções de votos que deveriam ser secretos. Destarte, após haverem supostamente auferido declarações dos eleitores, os institutos publicam-nas. Pelos conjeturados métodos utilizados, cientificamente estariam projetando futuros resultados eleitorais.
Entretanto, esses cálculos só ganham maior interesse, notadamente quando cogitam as probabilidades de algum candidato vencer num futuro pleito. A seguir, ritualmente esses institutos de pesquisas mencionam nomes, que nesta época já começam a fervilhar. Mas, mesmo que sejam pesquisas encomendadas pelas partes interessadas, tendências refletem apenas o momento, explicam cautelosos, todos os congêneres. Desse modo, clientes destes institutos, a maioria querendo disputar cargos eletivos, pagando as pesquisas, fazem-nas chegar ao conhecimento do público na forma de números percentuais.
Nesses momentos, desolado, assisto o eleitorado coió, aceitar ingenuamente as famigeradas pesquisas, fazendo-o sem contestar. Então, agradeço ao sistema republicano, o fato da verdadeira votação válida, brotar unicamente das urnas, colocadas em cabines indevassáveis. Porque parte do povo brasileiro, com direito a votar, infelizmente é ingênua, ou simplória. Penso que provavelmente, desse modo deve também conceitua-los, os proliferados institutos de pesquisas, cujas receitas dependem dos interesses de quem contrata seus serviços. Tenho tal posicionamento, principalmente após inteirar-me dos números totalizados, onde seguidamente, vejo-os favorecendo veles das imagens dos políticos. Os quais pagam esses institutos, justamente para vê-las publicadas. Afinal, nenhum desses órgãos de pesquisas, faria esse trabalho, divulgando-o conclusivo, sem antes auferirem um recebimento justo pelos serviços prestados. Ademais, esses resultados acabam noticiados, quando os próprios políticos não comentam. Depois, adversários destes acusam, que todas as pesquisas foram forjadas e pagas pelas partes pesquisadas.
A propósito deste despropósito enunciado, o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOPE), é o pioneiro em fazer essas tradicionais pesquisas eleitorais. E esse veterano instituto, embora tenha nascido na ditadura do presidente Vargas, suas pesquisas eleitorais remontam o ano de 1945. Porém, já ocorreu desses pesquisadores, servirem algum tempo aos interesses do estado brasileiro e desde dessa época o respeitado IBOPE, embora independente, culminou adquirindo vícios conhecidos, que os jornalistas criticam, igualando-o nas maracutaias, aos demais institutos de pesquisas existentes. Pois, em nossos dias, diretores desse instituto, publicamente tratam os vaidosos políticos e suas siglas partidárias, formalmente de clientes. Portanto, pelo raciocínio da lógica, alguém paga, enquanto outro alguém recebe.
Para piorar meu imenso ceticismo, destacadamente dessas conclusões estatísticas apuradas, provenientes desses institutos prestadores de serviços pesquisadores, noto que seus dirigentes fabricam outras pesquisas e indicações. Tecnicamente, esses pesquisadores apontam favoritos, muito antes das convenções acontecerem. Posteriormente, se aqueles forem indicados, ladinamente esses institutos os acompanharão, durante o período eleitoral.
Dessa maneira ocorrendo, entrará em cena para reforçá-los, no paradoxo da internet, um moderno “coronel” eletrônico. Sendo econômico, através dele determinar-se-á aos “cabos” e “soldados”, contratados como militantes dessa garimpagem do voto, a engolirem sapos. Desta maneira, coordenadores de campanhas eleitorais, também ensinarão a eles como cabalarem votos domiciliarmente, lecionando que nas visitas feitas, quem quiser se dar bem no final, aprender engolir anuros é arte. Mesmo se para poderem engoli-los, tenham de usar o método do “goela abaixo”. Enquanto isso for acontecendo nos municípios provincianos, chefes políticos locais ou os últimos “coronéis” de carne flácida, orientarão para quem seus eleitores de currais fechados, gente humilde manobrada, devem votar nestas eleições....
advogado criminalista, jornalista.