21/12/2011 10h05 - Atualizado em 21/12/2011 10h05

Pesquisa muda história de Dourados

Conta-se que Marcelino Pires teria doado, em 1910, 3.600 hectares de terras, mas pesquisa diz ao contrário

 
Marli Lange
Free lancer

DOURADOS – A história que todos conhecem sobre a fundação de Dourados pode ter deixado pontos obscuros nunca contados, mas que foram descobertos recentemente através de pesquisas feita pelo jornalista e advogado criminalista Isaac Duarte de Barros Júnior.

Advogado Isaac Duarte de Barros Junior é o autor da pesquisa sobre Dourados (Foto : Jorge Eduardo Lange Barros/OPROGRESSO)

A história que se conhece foi que o então fundador da cidade, Marcelino Pires, conseguiu doar em 1910 uma parte de suas terras para criar o patrimônio de Dourados, cuja área foi tombada pelo Tenente Antônio João Ribeiro, herói da guerra do Paraguai.

Segundo a história, Marcelino Pires se dedicou com maior intensidade a criação de gado, ocupando vastíssima área de terras, formando então a Fazenda Alvorada.

O patrimônio, até então fundado por Marcelino Pires teria recebido o nome de Vila das Três Padroeiras. No entanto, impasses com a empresa Companhia Mate Laranjeira, dificultaram essa formalização. A doação só teria sido consumada em 1910 através de uma proposta feita junto ao governador. Com isso Marcelino Pires teria conseguido doar 3.600 hectares para o patrimônio de Dourados.

Essa é parte da história que se conhece. Recentemente, o advogado Isaac Duarte de Barros, em seu artigo intitulado: “Dourados, Cidade Grande do Interior”, revela que essa doação nunca aconteceu pelo menos de forma oficial, já que as terras não pertenciam a Marcelino Pires. Ele havia se apossado de terras devolutas do governo federal. Conforme o artigo de Isaac, Marcelino José Pires Martins, chegou na região em 1881 e se instalou em Maracaju. Ali, ele conheceu Eulália Garcia (Eulália Pires) e se casou.

Inicialmente, o casal morou no lugar onde hoje está a colônia Santa Terezinha, no município de Itaporã. Marcelino Pires, agricultor de tradição, lá plantou algumas roças de café, que morreram devido às geadas. Mudou-se para Dourados e se apossou de uma vasta área devoluta, onde hoje está localizado o Parque Alvorada e Jardim Flórida, indo suas divisas, até as adjacências do Colégio João Paulo dos Reis Veloso. “Bastou esse ato para iniciar um sério desentendimento com o igual posseiro Joaquim Teixeira Alves. Pois ambos, sendo ocupantes da área, pretendiam usar o “animus domini” na terra demandada”.

Conforme Isaac em seu artigo: “truculentos, eles romperiam na época, o relacionamento de amizade. Talvez ocorresse isso tudo, devido ao fato dessas terras, nesse tempo serem reivindicadas por ambos. Todavia, Marcelino Pires, gravemente enfermo, faleceria em julho de 1915 sem que as terras tivessem sido legalizadas. Quanto ao pioneiro gaúcho Joaquim Teixeira Alves, este morreu em 1920 assassinado”.

“Diante da morte do marido, Eulália Pires receberia o domínio ou escritura da propriedade requerida, em limites divisionais menores, por volta de 1920. A mesma coisa, na maneira cartorial, aconteceu ao pioneiro Joaquim Teixeira Alves. Conclui-se, desta maneira, que Marcelino Pires não doou área nenhuma, para nela erguer um povoado, enfim já existente. E nem poderia fazê-lo, sem ter o domínio dela naquela época”, conclui Isaac. O advogado historiador afirma que a escritura de doação nunca existiu, já pesquisou nos cartórios que havia na época.

Para Isaac o fundador de Dourados deveria ser atribuída ao carpinteiro Januário Pereira de Araújo. Foi ele que construiu as cinco primeiras casas de madeira no então povoado. “Ele foi artífice inspirador das construções seguintes e da igreja católica Imaculada Conceição em 1925”, argumenta.


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