12/11/2011 12h37 - Atualizado em 12/11/2011 12h37

Os antigos primeiros

 

Isaac Duarte de Barros Junior

Como aconteceu em outras pequenas cidades do interior mato-grossense, as realizações dos particulares e obras do governo, nos anos quarenta despertavam a curiosidade da população douradense. Diferente da atualidade, onde a situação é outra, pois se não retornamos seguidamente a qualquer bairro daqui, esse lapso temporal é suficiente para o encontrarmos totalmente transformado. Todavia, outrora, qualquer empreendimento, fosse do poder público, de particulares, mesmo um baile, esses fatos sempre eram motivos de comentários excitados nas conversas dos populares.

Por exemplo: a inauguração do modesto aeroporto municipal na Cabeceira Alegre; a chegada da máquina de nivelar ruas e estradas; a inauguração do cine Santa Rita; o evento da energia elétrica; as construções do primeiro sobrado, do clube social e de um ginásio estadual, tudo despertava indiscrições. Outra novidade, essa para desgosto dos tradicionais lenheiros e disso eu lembro pessoalmente, foi os irmãos Zahran de Campo Grande, liderados pelo Elias, o mais velho do clã, vendendo gás e fogões, colocarem um final nas carroçadas de lenha.

Inclusive, Vlademiro do Amaral e Valdomiro de Souza, quando traçaram as ruas do perímetro urbano na década trinta, tinham um aparelho chamado teodolito colocado numa base de tripé. Geralmente usado na avaliação da topografia pelos engenheiros, sempre gerava uma boa conversa nas caboclas rodas de mate, ao escurecer. Entretanto, o primeiro veículo a motor, ainda que fosse um carro usado comprado pelos padres alemães franciscanos, ao estacioná-lo no centro povoado, atraia curiosos. Nesse tempo, a pequena Dourados resumia-se numa paragem, onde normalmente circulavam como meios de transportes, carroças, carretas e charretes. Os raros aparelhos de rádios, gramofones e radiolas desse período, somavam-se nos dedos das mãos.

Depois, só nos românticos anos cinquenta, nós ingressaríamos definitivamente na era das comunicações. Nessa fase, o Jovem advogado Weimar Torres criava em 1951 o seu “O Progresso”, primeiro jornal semanário impresso e os irmãos Brunini logo implantaram a rádio clube, destacando-se nela os locutores Sócrates Câmara e Sultan Rasslan. Surgiram também outros jornais impressos naqueles distantes anos, mas somente a “Folha de Dourados” do jornalista Theodorico Luiz Viegas, sobreviveria.

Há dezenove anos, surgiu o embrião do atual jornal “Diário MS”. Antônio Tonani, ex-advogado de Geremia Lunardelli, o rei do café, adotou Dourados, implantando a primeira rádio FM. A pioneira emissora de televisão local, coube funda-la o ex-prefeito José Elias Moreira, juntamente com uma rádio AM, esse grupo denominou-se “caiuás”. O deputado e advogado Marçal Filho e o igualmente ex-deputado, advogado Valdir Guerra, seriam os criadores de outras duas rádios FM. Hoje, com audiência menor, apareceram outras rádios AM e comunitárias.

Porém, no final dos anos sessenta, a novidade dos aparelhos televisores causava admiração nos habitantes. Nessa fase, eles eram tão poucos, que o prefeito da época, mandou colocar na Praça Mário Correia, uma dessas telinhas. Retransmissor de canal único, o televisor ficava a disposição dos munícipes. Embora fosse bem simples, referido aparelho terminou sendo furtado. Mais tarde, anonimamente delataram o tal ladrão num bilhete, que acabou levando uma surra e de reprimenda ficou preso bastante tempo. Depois disso, nenhum meliante repetiu o gesto.

Os cem primeiros telefones, da companhia telefônica fundada pelo Dr. Joaquim Lourenço Filho, cujas ligações eram completadas pela Sireunice Pedroso de Camargo e outras jovens telefonistas, entusiasmaram os douradenses, igual hoje empolgam os modernos computadores. Ainda em finais desses anos sessenta, chegaram outros migrantes sulinos. Estes implantaram planejadas, as lavouras mecanizadas, mudando o aspecto da economia regional. Por ultimo, as universidades com milhares de estudantes, nos firmaram como polo cultural nesse imenso interior. É bem verdade, tivemos que enfrentar tempestades, quanto a isso, prefiro não comentar...

advogado criminalista, jornalista.


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