Isaac Duarte de Barros Junior *
O dr. Corival, advogado veterano, outrora assíduo frequentador do barzinho “pé de porco” na cidade de Uberaba, gentilmente me enviou uma foto da turma “Edmundo Albino”. Tratava-se, faço-o a titulo de informação, do nome de um mestre, professor escolhido para paraninfar os bacharéis em direito da FIUBE naquele ano de 1975. O detalhe, é que na época quando clicaram aquele retrato com meus antigos colegas de turma nessa faculdade, haviam passados trinta anos, e nem tínhamos envelhecido muito. Hoje, transcorridos trinta e sete anos depois daquela foto, olhando saudosista aquele retrato, onde não pude ir encontrar com a minha turma de escola, resolvi fazer um balanço dos acontecimentos e das mudanças transcorridas no ensino superior nos últimos anos. Pois, naquele tempo cursava-se direito por vocação, havendo mercado de trabalho para exercermos a profissão, em qualquer lugar do território nacional.
Lembro que voltando a Dourados, minha primeira atitude foi interromper as atividades de jornalista e imediatamente abraçar a nova promissora carreira de advogar. Os criminalistas drs. Ayrton Ferreira Barboza e Josephino Ujacow, radicados na comarca douradense há muitos anos, me recomendaram usar da prudência, ao laborar nas lides forenses. No começo, jovem e relutante, voltei a trabalhar na imprensa, um hábito adquirido desde os anos sessenta. Entretanto, durou pouco essa volta à atividade. Logo, recomecei a advogar, e como advogado criminalista, consegui ser um recordista em defesas no tribunal do júri na região centro-oeste. Ultimamente, orgulho-me de ter sido o segundo douradense nato a colar grau em direito e atualmente ser o primeiro militando nessa profissão, ainda vivo.
Recordo que acompanhei a implantação da primeira faculdade de direito douradense, do primeiro vestibular e da sua primeira turma de formandos. Inclusive, muitos daqueles inaugurais estudantes de direito, estagiaram em meu escritório. Satisfeito, acompanhei o ingresso de outros na carreira de promotores e magistrados. Dentre eles, despontou até um desembargador. Penso, que se a minha turma “Edmundo Albino”, lá em Minas Gerais, deixou marcada as minhas lembranças, muitos estudantes de direito, devem sentir o mesmo revendo as suas turmas, formadas na primeira faculdade local. Lamento bastante, que na minha fase de estudante universitário, só fosse possível concluir um curso superior, indo estudar em outras regiões brasileiras, ou no exterior.
Enfim, no século passado, isso aconteceu comigo e outros douradenses. Confesso particularmente, ter saudades da Uberaba daqueles anos setenta, de seus fazendeiros abastados, dos intelectuais. Porque nessa cidade erguida entre sete colinas, fiz meu curso de direito. Ali, trabalhando no rádio, jornais e televisão, ganhei um titulo de cidadão uberabense, desgostando o prefeito da época, também meu colega de turma. Guardo caras lembranças de momentos idos, quando ainda me hospedava no hotel do comércio da Rua Vigário Silva. Afinal, na esquina desta rua com a Rua Arthur Machado, entrevistei num bar café tradicional, o médium mundialmente famoso, chamado Chico Xavier.
Estranhamente, porque sou agnóstico, fiquei surpreso, conversando com esse espírita. Ocorreu nesse dia, em nosso amigável colóquio, desse homenzinho dos óculos escuros, fala mansa e boné, revelar detalhes da minha vida, ao ponto de nunca me esquecer daquele encontro. Mário Palmério, diretor da FIUBE e imortal da ABL, foi outra amizade uberabense inesquecível. Escritor, embaixador e excelente político mineiro, era uma aula de vida. De tudo isso, recordei recebendo a fotografia enviada pelo Dr. Corival Rezende, meu companheiro de frequência no bar “pé de porco”. Felizmente a Kátia Nasser, continuava sendo mulher bonita, nessa foto que reuniu os grisalhos colegas da turma de 75. E através dela, decidi homenagear aos demais companheiros de faculdade, uma turma que para mim nunca envelheceu...
advogado criminalista, ex-jornalista militante.