Isaac Duarte de Barros Junior *
Pelas manhãs, ligando qualquer televisor, nele logo aparece em ação na telinha, a instrumentada aparelhagem da brutalidade brasileira rotineira, mostrando imagens de pessoas feridas e violências urbanas praticadas nas nossas cidades. Nesse momento, eu que já fui repórter, verifico o quanto esse meio de comunicação mudou na sua programação. Em seguida, sintonizando uma emissora de rádio qualquer, ouço, talvez pela disputa de audiência, como se todos os ouvintes fossem sevos, surgir nos intervalos das melodias matinais, as vozes estridentes dos apocalípticos radialistas policiais, divulgando variados atos dos criminosos. Para relaxar-me dessas deprimentes notícias, logo ao despertar, folheio um jornal impresso. Entretanto, na primeira página do matutino, com destaque, lendo suas enormes manchetes, inteiro-me que alguém morreu ou matou no dia anterior. Nessas ocasiões, eu tenho vontade de ficar num lugar isolado, sem ouvir rádio, ler qualquer jornal ou assistir programas na televisão.
Então, desolado com tanta estupidez humana, lembrei que outrora como solução caseira, para não entrar em pânico, os seres urbanos procuravam refugiar-se, buscando a paz psicológica no aconchegante bucólico interior. Afinal, nesse lugar distante, geralmente silencioso nas madrugadas, apenas os galos solitários violavam a calma, anunciando o dia amanhecer. Ocorre que agora, nessas roças isso não acontece, porque os coevos caipiras, já se encarregam de modernos métodos para despertar. Pois, ligando bem alto o som num carro comprado a prestação, matutos ouvem músicas estridentes, numa língua estrangeira que não entendem. Enquanto que aqueles cantores empenados, antigamente sentinelas de quintais, calaram-se. Provavelmente, viraram carne farofada nas panelas de andarilhos ladrões.
Quanto ao êxodo rural concluído, encostando hoje os antigos caboclos nas periferias, atualmente cheias de armadilhas e animais racionais traiçoeiros, transformaram seus sonhos de viverem na cidade em pesadelos, obrigando-os a retornarem para os matos de onde nunca deveriam ter saído. Cabisbaixos, decepcionados, depois de malograrem-se abandonados nos bairros pobres, retornando as origens não acharam nenhuma árvore em pé.
Mas, contaminados, nessa volta ao mundo do campestre transformado, sertanejos ainda sem escolaridade, retornaram levando entre os objetos de uso, o vício urbano chamado televisão. E houvessem carregado um simples aparelho de rádio, sendo ainda seres simplórios de compreensão, graças às programações violentas, esses jecas buscando a incompreendida informação, ouvindo-a, perderam aquilo que ainda lhes restava da pureza inocente do homem rural.
Mas, desde os seus aparecimentos como meios da comunicação de massa, emissoras de sons e imagens, criam ídolos, ditam modas ou moldam comportamentos sociais. Atualmente, quiçá vigiando os atos praticados pelas forças da lei, removendo meliantes considerados perigosos, escoltando-os por via área, jornalistas criticam os custos policiais. Dessa forma, acabam mostrando mazelas do sistema carcerário falido. Ao mesmo tempo, repórteres focam lugares confortáveis do crime organizado nas favelas. Não bastassem essas aulas, sugestionando compensações colhidas na vida criminosa, mostram riquezas acumuladas. Todavia, mesmo apreendidas, muitos ouvintes e telespectadores, são levados à inferência sugestiva, que ser criminoso compensa.
Embora a inteligência humana seja uma diferencial qualidade congênita individual, certas pessoas insatisfeitas com seus limites intelectuais e sociais predestinados, sonham serem iguais economicamente às pessoas afortunadas mostradas nos vídeos. E compelidas pela ganância, mudam do habitat. Para terem tanto quanto, pensam e planejam como poderão preencher suas insatisfações guardadas, escalando montanhas de empecilhos.
Daí, praticarem bobagens influenciadas pela mídia, que as transformando em marionetes sem autodeterminação, manipulam-nas com ilusórias esperanças de terem muito dinheiro no bolso e nas bolsas. Dessa maneira como mestres do crime, alguns apresentadores de programas televisivos e radiofônicos, donos de um publico cativo influenciável, entram nos lares, nos bares ou nas ruas escuras dos deslumbrados, divulgando as ações mal e bem sucedidas da criminalidade urbana.
advogado criminalista, jornalista.