29/12/2011 17h00 - Atualizado em 29/12/2011 17h00

Marcha rumo oeste...

 

Isaac Duarte de Barros Junior *

Algumas pessoas influentes aqui nascidas, jamais toleraram ler verdades. E quando encurraladas por narrativas históricas incontestáveis, querem mostrar-se ofendidas, sem ter sido. Dos argumentos precisos, debicados pelos pesquisadores, elas fazem chistes. Tolamente, preocupam-se com prováveis mudanças dos nomes de parentes, colocados em avenidas douradenses indevidamente. Entretanto, isso só aconteceria, possivelmente, caso as nossas autoridades municipais investigando nomes pioneiros, descobrissem honrarias históricas, outorgadas de maneira errada. Descendentes de desbravadores, espécie quase extinta de “marimbondos caboclos”, sabem das dificuldades enfrentadas pelos historiadores, para localizar-se certidões de nascimentos, casamentos ou óbitos, que ajudem a recuperar as biografias de homens e mulheres, nossos habitantes do século dezenove.

Polemizando circunstancias irrelevantes da fundação do município, diversos desses residentes tradicionais, defendem pequenos detalhes em causa própria. Enfim, prendem-se estoicamente, a fatos triviais. Todavia para Jesus Cristo, seus seguidores inventaram a efeméride da natividade; Siddharta Gautama, o Buda, ninguém preocupou-se em saber o dia do seu nascimento; Abulqasim Mohamed ibn Abdala, Maomé, sabe-se que nasceu em Meca. Dessa forma, inteirados dessas dificuldades históricas precisas, por falta de documentação, falsários usando epidermes escuras, inventaram até quilombos em nossa região. Porém, provas coletadas, refutam essa tentativa absurda.

Mesmo ocorrendo essas dificuldades documentais, nada impediu os historiógrafos, de rematarem conclusões corretas. Como por exemplo, da Companhia Mate Laranjeira, ser o resultado de um famigerado contrato, substituindo o pagamento de dívidas contraídas na Guerra do Paraguai, pelo decadente governo imperial. Afinal, arrendar uma parte do território matogrossense, para um aventureiro, combatente e fornecedor de provisões ao exército brasileiro no front, foi uma das formas de pagá-lo. Aliás, nessa época, o imperador brasileiro estava de cofres vazios, daí vender altas patentes militares, títulos nobiliárquicos e áreas de terras devolutas, legalizando-as para honrar pagamentos de dívidas contraídas no genocídio americano. E essa empresa do mate, só teve renovado seu contrato no governo republicano de Campos Sales, porque seu ministro da fazenda, o cuiabano Joaquim Duarte Murtinho, tornou-se sócio da poderosa ervateira.

Embora tivesse essa empresa, cometido incalculáveis barbaridades com colonos migrantes e imigrantes, ela serviu para acelerar o desenvolvimento matogrossense uno. Quanto a essa exploração dos ervais nativos, Getúlio Vargas criando o Território Federal de Ponta Porã em 1943, rescindiu aquele contrato empírico. E se contestamos narrativas, historicamente ensinando que um posseiro de terras devolutas doou 3600 hectares, objetivando erguer uma futura povoação, não significa querermos afrontar famílias douradenses tradicionais, segundo nos alertaram leitores da internet. Ao contrário, tal afirmativa, se continuar sendo aceita oficialmente, afronta é o nosso Código Civil Brasileiro, desafiando a inteligência dos habitantes.

Destarte, após compulsar a Ata original da Instalação do município douradense, datada de 1936, com ela inicio a primeira correção, inteirando a atual população municipal, que este pedaço de chão vermelho, foi criado pelo Decreto Governamental nº 30 de 23 de dezembro de 1935. Nessa época, era interventor estadual, o Dr. Mário Correia da Costa. A propósito, concordo com os insignes colegas Altair da Costa Dantas e Rozemar de Mattos, a respeito da impessoalidade do fundador de Dourados. Pois, em 1894 meu avô materno já morava na zona rural daqui, juntamente com outros pioneiros.

Aqui Celestina, minha tia mais velha, nasceu em 1900, sendo registrada no cartório pontaporanense, por ser próximo. Enquanto isso ocorreu, na sede do vilarejo douradense ainda em formação, Januário Pereira de Araújo erguia casas de madeira. Resumindo, assim formou-se a Vila de Dourados, costumeiramente recebendo de braços abertos novos migrantes para moradores, na virada do século dezenove. Portanto, caso algumas pessoas não aceitem esta pesquisa histórica, saibam que pretensão e água benta, cada qual pode servir-se da dose necessária...

advogado criminalista, ex- jornalista militante.


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