Provavelmente a fé nunca moveu montanhas, mas existe tanta gente explora-a ultimamente, que inegavelmente ela passou a movimentar altas contas bancárias. E como o tempo envelhece homens, estes ficam preocupados com a inevitável decadência física. Assim, esse ocaso existencial, fragiliza-os diante da incógnita que significa morrer.
Para alguns, materialistas por escolha, as perspectivas de não mais manobrarem suas fortunas, causa-lhes preocupação. Todavia, nenhum agiota conseguiu transferir seu dinheirinho para os cofres do além. Faraós, mumificados com seus tesouros e papiros visando suas ressureições, resultaram continuar mortos após séculos. Inclusive, arqueólogos violando suas tumbas empoeiradas, furtando-os despojaram-lhes de seus bens acumulados. Enquanto isso acontecia, clérigos adaptaram ao calendário gregoriano os solstícios romanos pagãos. Assim, eles criaram a data natalina, cuja festividade em dezembro, nenhum comerciante contesta.
Porém, na teoria das espécies, o britânico Darwin deu arrepios em crentes no gênesis bíblico, colocando estudiosos de teologia em dúvida religiosa. Apesar disso, antropólogos debateram chistosamente em simpósios, se o fruto proibido da árvore do místico parnaso, era a vermelha maçã ou uma simples banana. Shakespeare, escrevendo a respeito desse portal de sonhos, concluiu que o sono é prelúdio da morte. Então, correndo os caminhos do mundo, afinal outrora todos eles levavam a Roma, arautos da fé propagaram ensinamentos de um Cristo, cuja existência ninguém precisou sem controvérsias nos anais da história.
E para piorar, agnósticos contestaram-na documentalmente. Nessa forma colidente, a fé que move montanhas de dinheiro em contas de religiosos, preocupa-se com a falta dele nos saldos bancários, notadamente dos pregadores metidos a possuir poderes sobrenaturais. Supostos secretários do além, tendenciosos expulsam os maus espíritos diante das telinhas, usando emissoras que transmitem esse espetáculo circense direto dos templos. Enquanto isso, seus assistentes pedem donativos. Entretanto Lázaro, o morto bíblico ou fosse outro judeu qualquer, a medicina explica os porquês da ausência dos fortes odores sendo ele “ressuscitado”. Dizem que possivelmente, seu óbito verdadeiro nunca se concretizou, nos quatro dias que ficou emparedado na montanha. Portanto, bastou rolarem a pedra da tumba, para o ”defunto” sair caminhando. Quanto aos leprosos, sabemos que hanseníase tem cura.
Doença transmitida através de um micróbio, longe do tratamento ser um “milagre” na recuperação degenerativa da pele humana, esta devia ser do conhecimento de poucos na época. Quanto à alma, parte imortal imaterial dos humanos destinou-na se pecadora, ser queimada no fogo do inferno, lugar criado pelos padres jesuítas em dogmas católicos. Neles, o pecador torraria por toda a eternidade, segundo narrativas aterrorizantes da crença. Bons de fogo na idade medieval, esse braço radical do catolicismo, fabricou diabólicos “caldeirões ferventes” de tortura eterna.
Certamente, aqueles membros da congregação jesuítica fundada pelo espanhol Inácio de Loyola, encarregados da “sagrada inquisição”, embora fossem homens de hábitos esquisitos, não conheceram os usos da eletricidade, inventados por Thomas Alva Edson. Soubessem deles, esse “castigo eternal”, certamente seria eletrocutar os pecadores numa eviterna cadeira elétrica.
Penso que observando essas baboseiras, o estado brasileiro resolveu tornar-se laico. Entretanto, no século dezenove, prelados garantiam que mulheres e escravos negros não tinham alma. Agora, vejo esta pátria democrática, virar o paraíso das igrejas evangelizadoras. Mas antes, já tivemos a fase dos profetas, beatos, benzedores e curandeiros. Atualmente, estamos vivendo o período áureo dos pastores. Dessa forma, a bíblia virou desodorante de meliantes condenados pela justiça.
Objetivando ganhar progressões no regime prisional, eles carregam-na debaixo dos braços. Enquanto isso, seus parentes desesperados, se socorrem na fé. Destarte, as nossas autoridades tolerantes, continuam ouvindo pregações mistificadas prometendo curas e outras charlatanices. Desta maneira, safadezas como o curandeirismo, acontecem para quem quiser presenciar o delito criminalizado no Código Penal Brasileiro...