13/01/2012 16h58 - Atualizado em 13/01/2012 16h58

Atribuições erradas...

 

Isaac Duarte de Barros Junior *

Destacados desempenhos profissionais e inteligências preparadas, se equivalem realmente na qualidade ou na importância. Como condições inseparáveis, são os fatores responsáveis pelas performances no trabalho de qualquer indivíduo. Porém, ultimamente precisa ser corrigido, o fato de existirem pessoas ocupando-se com atribuições erradas. Imaginem engenheiros atendendo pessoas doentes e médicos construindo prédios, no mínimo, sensatamente, seriam acontecimentos normais? Ou, veterinários legislando e advogados cuidando de boiadas, não lhes parece esquisito? Sendo, então tem gente trabalhando fora do seu quadrado. E como as coisas andam desencontradas de lugar, jornalistas mostram na mídia, que tudo caminha errado nesta terra descoberta por Cabral.

Todos os dias, nessa mídia, aparecem escândalos dando brados retumbantes nas margens plácidas do Lago Paranoá. No Congresso Nacional, projetos de lei e congressistas pegando carona em propostas de colegas parlamentares, emendam proposituras a serem aprovadas e depois sancionadas.

Posteriormente, elas tornam-se iniciativas pleiteadas pelos próprios, noticiadas via assessores. Ministros de Estado, praticando a ginástica do peculato, cumulada de nepotismo, transformou-se em rotina contumaz, mostrada nas telinhas dos lares brasileiros. E pensar que deixamos de ser monarquia, devido à anarquia da realeza no século dezenove. Hoje, a república parece brincadeira de mau gosto. Entretanto, esta não é a república dos sonhos de Saldanha Marinho, nem a minha.

Cansa os brasileiros trabalhadores, muitos sem ter algo para comer, ouvirem e ler que bilhões de reais foram surrupiados do erário público. E enquanto todos deveriam ser iguais perante a lei, só vai preso neste país, quem furta um pote de manteiga num mercado popular. Costumamos buscar exemplos do alto, jamais no fundo de buracos. Mas, persiste o abismo separando ricos, pobres, brancos, índios, negros e mulatos, que precisa acabar.

Só então, seremos realmente iguais perante a lei. Pois precisamos de escolas, já tendo presídios demais. Chega de insegurança pública, afinal segurança, é direito do cidadão. Caso contrário, para que uma Constituição Federal, virada num farrapo, depois de tantas emendas dos congressistas? Da liberdade de culto religioso, até quando veremos erguerem-se em nome dele, impérios solidificados graças às pregações nos púlpitos? Então, somos um povo honrado governado por ladrões, segundo escrevia o jornalista Carlos Lacerda?

Pelos dados apurados, tecnicamente vivemos na sétima economia do mundo e no sexagésimo nono país mais corrupto do planeta. E como nação de dimensões continentais, rica por natureza, nossos dirigentes distribuem muito mal essas riquezas. Temos imensas fortunas acumuladas, pessoas faveladas e miseráveis pedindo esmolas. Aqui, morre mais gente assassinada anualmente, que em guerras islâmicas no oriente médio. O grau de confiança popular, sofrendo tantos desgastes nos três poderes da república, torna impossível saber, qual deles está menos cotado.

Legalmente não temos a pena de morte, admitida entre os homens livres, enquanto nos presídios detentos são sumariamente executados. O conselho Nacional de Justiça, aceita admitindo, que agora ultrapassem os quinhentos mil prisioneiros. Enfim, estatisticamente temos a terceira maior população carcerária planetária. Refletindo rápido, quem paga essa conta?

Penso que uma República Parlamentarista, com voto distrital, viria confortavelmente a calhar ao bem estar do Brasil. Porque Primeiro Ministro não agradando a população, seria o primeiro a voltar para casa, com todo o seu gabinete. Fortalecendo os partidos políticos, ideologias existindo, ficariam acomodadas. Carreirismo, fisiologismo, clientelismo e outras desgraças da política, estariam no parlamentarismo, com seus dias contados.

Destarte, parlamentar nesse regime, senão souber discursar, rapidinho retomaria sua antiga profissão. E nada mais satisfatório, numa democracia engatinhando, que este sugestivo heróico remédio. Portanto, chega de atribuições erradas, desempenhadas por pessoas erradas, que exceto vaidade, nada tem para oferecer. Assim, basta de proselitismo nesta nação ordeira, em pleno desenvolvimento...

advogado criminalista, ex- jornalista militante.


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