Dom Redovino Rizzardo, cs*

No dia 27 de agosto de 2010, ocorreu o centenário de nascimento de Madre Teresa de Calcutá, uma das maiores apóstolas da caridade com que a humanidade foi enriquecida ao longo dos séculos. Nascida na Albânia, ingressou na Congregação de Nossa Senhora de Loreto e, a seu pedido, em 1931, foi enviada para a Índia.

Em contato com a dura realidade dos parias, a casta mais baixa da sociedade indiana, em 1948 fundou a Congregação das Missionárias da Caridade, destinada a assistir os marginalizados e excluídos, começando pelos doentes e moribundos. Sua dedicação ultrapassou as fronteiras da Índia e recebeu, no dia 17 de outubro de 1979, o Prêmio Nobel da Paz. Sua fama não acabou com a morte. Seis anos após, no dia 19 de outubro de 2003, foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Para conhecer a força que movia a sua intensa atividade, coligimos, aqui e acolá, dentre seus escritos, alguns pensamentos que revelam algo do que andava em sua alma.

Para Madre Teresa, o começo de tudo é a família: «Tenho por mim que o mundo está de cabeça para baixo, e sofre muito pelo pouco amor que existe no lar. Todos parecem estar com muita pressa, à espera de grandes acontecimentos e de muito dinheiro. Assim, nem as crianças têm tempo para os pais, nem os pais para as crianças e para conversarem entre si. É no lar que começa a destruição da paz no mundo».

Mas o amor não pode se fechar, nem que seja numa família. Ele existe e cresce na medida em que se abre a todos, sobretudo a quem nada tem para retribuir: «Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Jesus. Não é uma experiência maravilhosa? Por dinheiro nenhum eu tocaria nele, mas, por Deus, de boa vontade o faço». «Às vezes, pensamos que pobreza seja apenas estar com fome, sem roupas e ao relento.

A maior pobreza é não ser desejado, não ser amado e não ser tratado. No mundo, existe mais fome de amor e de valorização do que de pão». «Não se contente em dar do seu dinheiro. Ele não é suficiente. Os pobres precisam de seu coração para amá-los. Espalhe seu amor por onde quer que vá».

Quem a sustentava nesta vida de intensa atividade e de total abnegação era sua vida de oração e de intimidade com Deus. Apesar das profundas e intermináveis “ausências” de Deus que passou em seus últimos cinqüenta anos de vida, ou seja, a partir do momento que decidiu dedicar sua vida inteiramente aos pobres, ela sabia que, se deixasse a oração, o peso seria sobre-humano: «Precisamos encontrar Deus, e não podemos fazê-lo no barulho e na agitação.

Deus é amigo do silêncio. Veja como a natureza, as árvores, as flores, a grama crescem no silêncio; veja como as estrelas, a lua e o sol se movem no silêncio... Precisamos do silêncio para ser capazes de tocar nas almas». «Palavras que não trazem a luz de Cristo, aumentam as trevas». «Sou uma pequena caneta na mão de Deus, que envia cartas de amor ao mundo».

No dia 5 de setembro de 1997, Madre Teresa encontrou-se face a face com o Deus que ela buscou na oração e no serviço aos pobres. Ouçamos como ela imaginava esse encontro: «Não sei como será o Paraíso. O que sei é que, quando morrermos e Deus nos julgar, ele não perguntará quantas coisas boas você fez em sua vida, mas quanto amor você colocou naquilo que fez». «No final de nossas vidas, não seremos julgados pelos diplomas que recebemos, pelo dinheiro que conseguimos ou pelas coisas extraordinárias que realizamos.

Seremos acolhidos porque “Eu tive fome e você me deu de comer; eu estava sem roupas, e você me vestiu; eu não tinha casa e você me abrigou”». «Outro dia, sonhei que estava na entrada do Paraíso. São Pedro me disse: “Volte para a Terra. Não existem favelas aqui!”».

E já que a vida é sempre breve, inclusive para quem chega aos 87 anos como Madre Teresa, eis seus últimos conselhos sobre o valor da existência humana: «A pele se enruga, o cabelo embranquece e os dias se convertem em anos, mas o mais importante mão muda: a força interior». «Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba; não ame pela simpatia, pois um dia posso me decepcionar: simplesmente ame, pois o tempo jamais apagará um amor sem explicação!».


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