04/07/2011 02h33 - Atualizado em 04/07/2011 02h33

Por que Jesus chama Maria de munlher e não de Mãe ?

 

Benê Cantelli

Não quero polêmica. Estudo profundo, discernimento do Espírito e hermenêutica bíblica devem nortear e fazer fluir a verdade, não se deixando influenciar pelo grau maior ou menor de bom relacionamento com nossas próprias mães.

Têm pessoas que maldizem a Deus como pai, porque tiveram um pai que não fez jus a essa paternidade. Outras não tiveram o privilégio de ter uma mãe, como Jesus, que faz lembrar a glória do Pai em conceder a seu Filho uma mãe, como jamais teve outra na face da terra:“Bem aventurada entre todas as mulheres”.Lc 1, 28.

Deus, em sua plenitude de poder e onisciência, poderia ter escolhido outra forma para Jesus ter vindo a terra. No entanto, preferiu dar a si mesmo o direito de ver seu filho chamando alguém de mãe.

Segundo a Bíblia, há dois momentos em que Jesus se refere à sua mãe como mulher. Eis:

“Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” João 2,4.

“Mulher, eis ai o teu filho” João 19,26.

É evidente que, importa lembrar para os menos esclarecidos em estudos bíblicos, que é indispensável conhecer um pouco de hebraico, aramaico e grego, onde há expressões contidas que não condizem com o mesmo entendimento em outras línguas. No entanto, se atemos tão somente a um texto bíblico, numa leitura excludente de outro contexto, com certeza, a exegese, também, não será correta.

Vejamos esta frase, quando Deus abomina o pecado de Adão e Eva: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Gn,15

Por acaso é dificil entender que Deus, no instante do pecado do homem, determina sua redenção, na pessoa de seu Filho Jesus (sua semente) e que a mulher descrita no texto nao seja Maria? Pela mulher, Eva, pode se dizer que entra o pecado no mundo e, deve se dizer, diante do texto, que por Maria recebemos a redençao. “ELA É A MULHER”. E Jesus faz questão de deixar isso bem claro nessas manifestações.

“Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.” (Martinho Lutero no comentário do Magnificat – cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor).

Se não bastasse a declaração de Martinho Lutero, outro de igual importância no contexto da Reforma, afirma: “Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer, ao mesmo tempo, quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus.” (João Calvino). E, mais: “Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste” (Martinho Lutero – Deutsche Schriften, 14,250).

Concluindo: A primeira vez em que Jesus manifesta o termo MULHER ao se referir a Maria é na sua primeira aparição pública, depois de ficar 18 anos no convívio com ela, em casa, como carpinteiro. A segunda vez é em seu derradeiro momento na cruz. Concretiza-se no termo MULHER o que o Pai havia proclamado no momento do pecado de Adão e Eva, pois com Jesus, semente da MULHER, consumava-se a redenção da humanidade na figura do filho João.

Bom dia.

Melhor semana com Deus.

Professor

cantelli@terra.com.br

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